Em colapso, Porto Alegre inaugura seu primeiro hospital de campanha

FLÁVIO ILHA
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PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Após um ano de pandemia e agora em colapso com leitos de UTI lotados, Porto Alegre recebeu na manhã desta sexta-feira (19) o primeiro hospital de campanha. O funcionamento é por tempo indeterminado. A estrutura, montada pelo Exército após um acordo com o Ministério Público Federal, foi instalada junto ao HRES (Hospital da Restinga e Extremo Sul), que no início de março teve pacientes recebendo oxigênio nos corredores da emergência. Especialistas em saúde avaliam que esse tipo de instalação exige cautela e deve ser considerada como última opção para o tratamento de pacientes. Composta por três barracas militares de campanha, a estrutura tem 17 leitos. As oito posições para tratamento intensivo, que seriam instaladas dentro das barracas, foram transferidas para a área interna do HRES. Os pacientes transferidos para a unidade serão atendidos por 60 profissionais de saúde. O primeiro paciente transferido para o hospital de campanha, por volta de 10h, foi um homem de 39 anos com Covid-19. Nos últimos dias, as equipes técnicas trabalharam para concluir a rede de gases, instalações elétricas, hidráulicas, climatização e colocação dos equipamentos médicos. O Hospital da Restinga, único a atender o extremo sul da capital gaúcha, tem 111 vagas e 210 pacientes internados. A emergência e a UTI, que tem 20 vagas, estão lotadas. O diretor-geral Paulo Scolari disse que a operação da estrutura deve aliviar a pressão, mas por pouco tempo. "Estamos enxugando gelo", disse. A emergência do hospital tem hoje 72 pacientes aguardando internação, dos quais 18 confirmados com Covid-19. "Havendo necessidade, poderemos utilizar os equipamentos de uma UTI no hospital de campanha", afirmou Scolari. Nesta sexta-feira, o Rio Grande do Sul contabilizava 3.593 pessoas internadas em unidades de tratamento intensivo públicas ou privadas -novo recorde, com 109% dos leitos ocupados. Dessas, 2.598 têm diagnóstico positivo para Covid-19 (72,3%) e 130 casos suspeitos. Em Porto Alegre, a situação é mais grave: a ocupação de UTIs está em 114% com 1.154 pessoas internadas em UTIs para 1.018 vagas. O Hospital Moinhos de Vento, maior da rede privada da cidade, está com 160% de sua ocupação intensiva, com 106 pacientes para 66 vagas. A instituição chegou a instalar contêiner para abrir corpos das vítimas do coronavírus.