Em comparação com 40 países, Brasil está entre os 10 onde Covid-19 mais avança

Rafael Garcia
No fim de abril, cariocas desrespeitam isolamento social e praticam esportes em dia de sol na Praia de Ipanema, no Rio

SÃO PAULO - Uma comparação da evolução da Covid-19 em 40 países, o Brasil está dentro daqueles 25% piores, onde o vírus avança mais rápido. Na América do Sul, a epidemia brasileira é aquela com maior letalidade e a segunda que mais cresce. Os números são resultado de análise do grupo Nois, núcleo interdisciplinar de pesquisa que integra PUC-Rio, Fiocruz, USP e outras instituições.

Em estudo que avaliou o período de 14 de abril a 4 de maio, os cientistas avaliam que o Brasil foi mal sucedido em tentar frear sua epidemia do novo coronavírus, quando comparado com outros. Em média, entre essas duas datas, os países analisados conseguiram reduzir a taxa diária de aumento de casos de 43,% para 1,6%. No mesmo período considerado (contagem a partir do 50º caso em cada país), o Brasil tinha taxa mais alta, 7,8%, e reduziu pouco, para 6,7%. Nesse período o número de casos brasileiros de Covid-19 quadruplicou.

Os países incluídos na análise foram Alemanha, Austrália, Áustria, Bahrein, Bélgica, Brasil, Canadá, Catar, China, Coreia do Sul, Dinamarca, Egito, Emirados Árabes, Eslovênia, Espanha, EUA, Filipinas, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Índia, Irã, Iraque, Islândia, Israel, Itália, Japão, Kuwait, Líbano, Malásia, Noruega, Portugal, República Tcheca, Reino Unido, San Marino, Singapura, Suécia, Suíça e Tailândia.

Quando o Brasil é analisado do ponte de vista dos óbitos, o país também está entre os mais preocupantes.

"Nos dias 16, 17 e 28/04/2020, o Brasil foi o país com o maior crescimento na taxa de letalidade, o que mostra um aumento considerável do número de óbitos, caracterizando uma situação extremamente preocupante para o país", afirma comunicado dos pesquisadores à imprensa.

No estudo os pesquisadores afirmaM que os estados nordestinos, em média, conseguiram uma desaceleração mais intensa que os do Sudeste.

"Com exceção da região Nordeste, que apresentou leve queda na taxa de crescimento do número de casos confirmados, as outras regiões do Brasil (incluindo especificamente os estados do RJ e SP) tiveram taxas de crescimento relativamente estáveis ao longo das últimas três semanas, o que indica que o Brasil e suas regiões ainda não atingiram o pico de novos casos."

O país entrou em maio já com uma tendência ruim. Com quase 53 mil casos já em 24 de abril, fim do período analisado pelo Nois anteriormente, a epidemia brasileira tomou um rumo pior que o do cenário pessimista, 40 mil, casos que havia sido projetado pelo Nois há um mês. O número total de casos nesta quarta-feira (6 de maio) já está em 114 mil.