Em contraponto a Guedes, Maia diz que tocar reformas não basta para conter crise

Renata Mariz
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, disse nesta segunda-feira que o Congresso aguarda o texto das reformas administrativa e tributária que o governo ficou de enviar desde o ano passado. Ele afirmou, no entanto, que outras ações são necessárias por parte do Executivo para aplacar as consequências da crise internacional, sem dar exemplos. Mais cedo, o ministro Paulo Guedes, da Economia, afirmou que a melhor resposta para a crise será o andamento das reformas estruturais.

- O Parlamento nunca faltou ao Brasil em momentos de crise e não vai ser diferente agora, muito pelo contrário. Tem pautas de médio e longo prazo, como as duas reformas que o governo deve encaminhar nos próximos dias. Então, estamos aguardando ansiosos já há alguns meses. E o governo tem outras ações que vai precisar tomar nos próximos dias - disse Maia, ao falar com os jornalistas após participar de um evento sobre educação básica em Brasília.

Ao ser questionado sobre quais atitudes deveriam ser tomadas, o presidente da Câmara respondeu que não falaria para evitar que digam que está "se intrometendo onde não deve". Em relação às declarações de Guedes, de que era preciso dar seguimento às reformas como forma de enfrentar a crise, Maia se mostrou surpreso e respondeu em tom de ironia:

- Ele falou isso hoje? Acho que ele repetiu meu tuíte. Quer dizer que estamos sintonizados.

Durante o evento, Maia afirmou que espera que a reforma tributária avance já nos próximos meses. No caso da administrativa, ele disse que haverá atraso, por ser necessário aprová-la primeiro na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).