Em conversa com Maia, embaixador chinês nega 'obstáculo político' para importação de insumos da vacina

Bruno Góes
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Agência Câmara

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse nesta quarta-feira que foi informado pelo embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, que o atraso na importação de insumos para a produção de vacinas não foi causado por "obstáculos políticos", e sim por problemas de ordem técnica. Em entrevista à GloboNews, Maia falou sobre os assuntos tratados em reunião desta manhã, em Brasília, com o diplomata chinês.

De acordo com Maia, Wanming disse que trabalharia para acelerar o processo de liberação de substâncias essenciais para a produção dos imunizantes no Brasil. Tanto a CoronaVac, desenvolvida pelo laboratório Sinovac em parceria com o Instituto Butantan, quanto a vacina de Oxford/Astrazenica, que será produzida pela Fiocruz, necessitam de matéria-prima daquele país.

- (O embaixador) disse claramente que não havia obstáculo político, e sim problema técnico - disse Maia à GloboNews.

Segundo Maia, o diplomata elogiou a parceria da Sinovac com o Butantan, além de ressaltar a histórica boa relação do Brasil com a China.

- Ele (embaixador) abriu a conversa já relatando que, de forma nenhuma, haveria obstáculos políticos para a exportação dos insumos da China - relatou Maia, acrescentando a disposição do diplomata: - Ele disse que trabalha junto ao governo chinês para que possa acelerar a exportação, no caso a nossa importação desses insumos, para que possamos restabelecer a nossa produção. Então, a reunião foi muito positiva.

Maia disse que não entrou em detalhes sobre a data em que poderia haver a liberação dos insumos. Porém, afirmou que a "impressão" é que o governo chinês vai acelerar a exportação.

Desde que assumiu o mandato, o presidente Jair Bolsonaro e seus filhos promovem publicamente ataques à China. Perguntado se isso seria um empecilho para a exportação de insumos, Maia respondeu:

- De forma alguma, e isso ficou claro: a China não vai retaliar o Instituto Butantan ou a Fiocruz.

Apesar da crise sanitária, o presidente da Câmara disse que o governo federal, segundo as informações que obteve, não entrou em contato com a Embaixada da China para resolver a situação.

- Na conversa hoje, não (conversei sobre o assunto com o embaixador), mas as informações que eu tenho da embaixada é que de fato não houve nenhum tipo de diálogo entre o governo federal e a embaixada chinesa. Essa informação, infelizmente, faz sentido. Infelizmente, a questão ideológica tem prevalecido em relação à importância de salvar vidas no Brasil.