Em conversas com Bolsonaro, Partido da Mulher Brasileira muda de nome para 'Brasil 35'

Guilherme Caetano
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SÃO PAULO — Enquanto mantém conversas com Jair Bolsonaro visando a ser a próxima legenda do presidente, o Partido da Mulher Brasileira (PMB) alterou seu nome para Brasil 35 na manhã deste sábado. A mudança foi feita durante convenção nacional do partido, no Rio de Janeiro.

A logomarca do partido, antes de cores azul e branca, passou por uma atualização. A marca ganhou as cores verde e amarelo, bastante usadas por Bolsonaro, e o slogan "Coragem para fazer". O estatuto do PMB também foi alterado.

O motivo da mudança, segundo a presidente nacional, Sued Haidar, não teve influência da busca de Jair Bolsonaro por um novo partido. Ela diz que o diretório nacional vem pensando numa atualização desde 2017, dois anos depois da obtenção do registro definitivo.

Haidar, no entanto, confirmou contato com Jair e Flávio Bolsonaro, mas negou ter fechado acordo para filiação do grupo político do presidente.

— Houve, sim, uma conversa com o presidente. E tem que existir diálogo. A gente continua conversando com todos os partidos. Vamos caminhando aí. O partido não tem que entrar numa bola dividida que não é nossa. Foi uma conversa muito tranquila, de discussão da questão das pautas necessárias, que foram várias, por exemplo, a questão da saúde, educação. E da possibilidade de o presidente vir (para o PMB) foi feita da forma que ele deve ter procurado conversas com outros partidos. Não foi só com a nossa equipe — afirmou Haidar.

Após romper com o PSL em novembro de 2019, Jair Bolsonaro se engajou na criação de seu próprio partido, o Aliança pelo Brasil. Mas a demora na coleta das 492 mil assinaturas necessárias para a obtenção do registro definitivo junto à Justiça Eleitoral fez o presidente procurar alternativas. Bolsonaro tinha dado ao Aliança o prazo de 30 de abril, a partir do qual passaria a buscar um plano B.

Em entrevista ao GLOBO na última quinta-feira, Flávio Bolsonaro afirmou que ele e seu pai têm conversado com alguns partidos, como PMB, Patriota e DC. Segundo Flávio, "independentemente de o presidente não se filiar ao PP nem ao PSL, selamos na terça-feira um compromisso de que tanto PP quanto PSL estarão na coligação do Bolsonaro em 2022".

— O presidente tem que ver o que é melhor para ele. A legenda não tem fundo partidário, não tem tempo de TV. Até agora não houve essa conversa de aperto de mão, não — declarou Haidar.

Se Bolsonaro se filiar ao Brasil 35, não terá sido a primeira vez em que um partido passou por um "rebranding" para acolhê-lo. Em 2017, o então Partido Ecológico Nacional (PEN) foi rebatizado de Patriota, nome que se mantém até hoje, para que Bolsonaro pudesse concorrer à presidência. No entanto, o candidato migrou para o PSL, pelo qual saiu vencedor do pleito.