Em crise, Prefeitura do Rio suspende pagamentos

RIO DE JANEIRO, RJ - 29.10.2019 -RECONHECIMENTO-BAR-DA-LAJE - O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), na Cerimonia de assinatura da Sanção da LEI que reconhece o O Bar da Laje como novo ponto turístico da cidade do Rio de Janeio, no Palacio da cidade na zona Sul, na manha desta Terça 17. (Foto: Maurício Pingo/Photo Premium/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Prefeitura do Rio de Janeiro, sob gestão de Marcelo Crivella (PRB), suspendeu todos os pagamentos que seriam realizados pelo município.

A resolução, publicada no Diário Oficial do Município que circula nesta terça-feira (17), é assinada pelo secretário de Fazenda, Cesar Augusto Barbiero, e já tem efeito desde às 14h desta segunda (16).

Segundo comunicado da prefeitura, o objetivo da medida é ajustar o caixa municipal em razão dos “arrestos determinados pela Justiça do Trabalho para pagamento de salários atrasados de funcionários terceirizados da saúde municipal”.

A gestão Crivella informou ainda que a suspensão dos repasses é “pontual e pode ser revertida a qualquer momento”.

Pesquisa Datafolha publicada neste domingo (15) mostra que Crivella viu aumentar a reprovação ao seu governo em meio a uma crise financeira que causa reflexos em serviços à população como na área da saúde.

Em outubro de 2017, a administração do prefeito era considerada ruim ou péssima por 40% dos entrevistados. Esse percentual subiu para 61% em março de 2018. Na atual pesquisa, 72% avaliaram negativamente a gestão.

CRISE NA SAÚDE

O Rio de Janeiro vive uma crise financeira na área da saúde sem precedentes.

Na esfera municipal, a carência de profissionais e de insumos é a principal crítica de médicos. “Nunca vi a situação deplorável como está”, afirma o ginecologista e obstetra Raphael Câmara, conselheiro do Cremerj (Conselho Regional de Medicina).

No âmbito estadual, onde a crise começou primeiro, em 2015, com o desajuste das contas públicas, a situação já está mais controlada, mas reclamações de pacientes persistem. Uma comissão chegou a ser criada em 2018 para reavaliar protocolos depois que uma paciente morreu no Hospital Getúlio Vargas, superlotado, por falta de atendimento.

Já na rede federal, a desordem foi tanta que o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, elegeu o “choque de gestão” no Rio como uma de suas prioridades. No início do ano, enviou militares para organizar processos administrativos e financeiros.

Outro sintoma da crise em todas as esferas é o déficit de leitos, problema histórico que tem se agravado com o fechamento de vagas por falta de profissionais ou condições estruturais. Em 17 de junho, havia 1.071 leitos públicos bloqueados na cidade.