Em crise que se aprofunda, Havana anuncia apagões e cancela carnaval

Por Marc Frank

HAVANA (Reuters) - A capital cubana, Havana, vai promover cortes na eletricidade em agosto, cancelou o carnaval e está adotando outras medidas diante de uma crise de energia no país que está piorando, disse a imprensa estatal neste sábado.

A capital abriga um quinto da população de 11,2 milhões de habitantes de Cuba e é o centro da atividade econômica da ilha. A cidade até agora vinha sendo poupada dos apagões de energia diários que duram quatro ou mais horas e que estão sendo adotados no resto do país há meses.

Os apagões motivaram alguns poucos protestos locais durante o verão e, um ano atrás, levaram a um dia de inquietação sem precedentes, com o descontentamento no país transbordando.

Por enquanto, um cronograma de apagões significa que cada uma das seis municipalidades de Havana terá cortes de eletricidade a cada três dias durante o horário de pico, no meio do dia, segundo o jornal do Partido Comunista, Tribuna de La Habana, que publicou uma reportagem sobre uma reunião de autoridades locais.

O apagão reflete uma crise econômica cada vez mais profunda que começou com duras novas sanções dos EUA à ilha em 2019 e piorou com a pandemia e depois com a invasão da Rússia à Ucrânia.

Os preços maiores de comida, combustível e transportes expuseram a dependência da importação e vulnerabilidades da economia, como uma infraestrutura decadente. A economia do país caiu 10,9% em 2020 e se recuperou apenas 1,3% ano passado.

Os cubanos passaram por mais de dois anos de escassez de comida e remédios, longas filas para comprar bens escassos, altos preços e problemas de transporte. Os apagões apenas aumentaram a frustração, levando ao êxodo de mais de 150 mil cubanos desde outubro para os Estados Unidos, e mais para outros lugares.

“Este é o momento de mostrar solidariedade e contribuir para que o resto de Cuba sofra menos por causa dos indesejáveis apagões”, disse o líder do Partido Comunista de Havana, Luis Antonio Torres, segundo a Tribuna.

Torres e outros na reunião insistiram que estavam agindo em solidariedade com os cubanos, e não por necessidade, e anunciaram outras medidas, como férias em massa para fechar empresas estatais, esquemas de trabalho em casa e corte de 20% na alocação de energia para empresas privadas com alto consumo. O carnaval que foi cancelado seria realizado no próximo mês.

Jorge Pinon, diretor do Programa de Meio-Ambiente e Energia Latino-Americano e Caribenho da Universidade do Texas, ofereceu uma avaliação diferente da de Torres. Ele afirmou que toda a rede de energia estava próxima do colapso após incêndios recentes em duas das 20 usinas de energia que já estavam obsoletas, com outras quebrando constantemente.

“Quando você continua usando o equipamento além da manutenção programada, ele entra em um espiral descendente, sem soluções de curto prazo”, disse à Reuters.

“Os apagões anunciados não são em solidariedade, mas uma necessidade para evitar um possível colapso total do sistema”, disse Pinon.

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