Em debate em SP, Boulos vira alvo de rivais de olho em segundo turno

Gustavo Schmitt
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SÃO PAULO. O candidato Guilherme Boulos (PSOL) virou alvo dos adversários em debate do jornal Folha de S.Paulo entre os candidatos à prefeitura de São Paulo nesta quarta-feira.

Segundo o levantamento mais recente do instituto Datafolha, Boulos aparece em segundo lugar e em situação de empate técnico com Celso Russomanno, do Republicanos, e Márcio França, do PSB.

A estratégia dos rivais foi investir na desconstrução da imagem de Boulos, que chegou a protagonizar embates com o prefeito Bruno Covas (PSDB), que é líder isolado nas pesquisas. O tucano também foi muito atacado no primeiro bloco, mas a briga esquentou foi no segundo pelotão, já que Boulos, França e Russomanno estão no páreo por uma vaga em eventual segundo turno.

Boulos deu início as provocações ao colar a imagem de Covas no governador João Doria (PSDB) e questionar a ausência do tucano na campanha, cuja rejeição é alta na capital.

-Eu quero saber se o Bruno bota a mão no fogo pelo Doria? - indagou Bolous.

Covas reagiu e trouxe à tona a inexperiência em cargos públicos do líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).

-Boulos, desculpa. Mas a diferença entre vender sonho e vender realidade é a consciência da situação. Falar bonito é fácil. Só que tem que conhecer os números da cidade - disse Covas.

Boulos rebateu e lembrou que traz consigo a experiência da ex-prefeita Luiza Erundina, que é a sua vice:

-Eu não vou governar sozinho. Tenho ao meu lado a Erundina, a melhor prefeita que São Paulo já teve. E tenho sensibilidade social, enquanto o PSDB tem um legado duvidoso, marcado por escândalos de corrupção - afirmou.

França adotou expediente semelhante. Explorou a juventude de Boulos, disse que ele apenas sabia liderar um movimento de moradia e sugeriu que parasse de copiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e concorresse a cargos proporcionais, como vereador e deputado para se cacifar.

Em forte queda nas pesquisas, Russomanno se lançou no papel de franco-atirador e num tom ríspido levantou suspeitas sobre empresas contratadas pela campanha do candidato do PSOL. Ele chegou a sugerir que os prestadores de serviço eram fantasmas. A mesma denúncia feita pelo candidato foi postado no Youtube no decorrer do debate pelo blogueiro Oswaldo Eustáquio, que chegou a ser preso em investigação do Supremo Tribunal Federal (STF) por fake news.

Boulos pareceu surpreso e não respondeu concretamente inicialmente do que se tratava a acusação. Russomanno em perguntar de novo ao candidato e no final do debate, o líder de moradia disse que a acusação não se sustentava e não havia sido feita por nenhum órgão de imprensa, apenas por pessoas ligadas ao candidato.

Russomanno foi pouco atacado. Desta vez, ele não apresentou as teses bolsonaristas e a defesa entusiática do negacionismo sobre a vacina contra o novo coronavírus produzidas pelo Instituto Butantan e o presidente Jair Bolsonaro, seu padrinho político, quase não apareceu em suas falas.

Covas também foi muito atacado. Os rivais acusaram o candidato de fazer uma gestão com pouco olhar para o social e a população mais pobre e criticaram as políticas públicas na área de saúde, educação e meio ambiente, entre outras áreas. O prefeito procurou ressaltar suas experiência e citou uma série de números.

Inicialmente, ele evitou responder sobre a razão de Doria não aparecer em sua campanha. Mas ao ver os rivais como Russomanno, o tucano reiterou que o governo está ocupado com a gestão do estado e aproveitou para revidar e lembrar que ministros do governo Bolsonaro participam da campanha do candidato do Republicanos quando deveriam estar em suas funções em Brasília.

-Eu não tenho nenhum problema com com o apoio do governador João Doria. Estranho seria o governador parar tudo para fazer campanha, como a gente vê os ministros saindo de Brasília e vindo fazer campanha em São Paulo - disse Covas.

O tucano também se viu diante denúncias sensíveis contra seu vice e vereador Ricardo Nunes, investigado por participar de um esquema de máfia das creches. Após o assunto ser tratado por Russomanno e França, Covas defendeu sua política para educação infantil. Ele afirmou que reduziu filas.

Evitando ataques mútuos de olho num segundo turno, França e Russomanno fizeram tabelinha para atacar Covas. Em tom jocoso, o candidato do PSB perguntou ao deputado federal se abandonar mandato fere o direito do consumidor. A fala fazia alusão a Doria, que deixou a prefeitura em 2018 para disputar o Palácio dos Bandeirantes.

-Celso, você é um especialista em direito do consumidor. Se um eleitor de outra cidade votou em você para deputado e você prometeu quatro anos de mandato. Se você se elege (para prefeito), renuncia e entrega dois. Dá para ir reclamar no Código do Consumidor? - disse França.

Russomanno riu e França complementou que até o final todos os seus mandatos.