Em debate sem prisão, Paes parte para o ataque contra Witzel

ITALO NOGUEIRA

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) decidiu elevar o tom contra o ex-juiz Wilson Witzel (PSC) no primeiro debate entre os candidatos ao governo do Rio de Janeiro, promovido nesta quinta-feira (11) pelo Grupo Band e a Firjan.

O encontro ocorre dois dias depois de Witzel ameaçar prende o adversário caso fosse caluniado durante algum debate. Apesar dos quatro direitos de respostas concedidos no encontro, não houve registro de ocorrência policial.

O candidato do DEM o criticou por ter deixado a Vara Criminal do Espírito Santo após sofrer ameaças, por receber auxílio moradia tendo imóvel próprio e por suposto autoritarismo ao ameaçá-lo de prisão.

"O senhor pediu para sair, para uma vara de execução fiscal. Na hora que teve que enfrentar o crime organizado, pediu para sair. Deu uma amarelada", disse Paes, questionando a capacidade do adversário em atuar contra o crime organizado como governador.

Witzel mudou a versão sobre sua mudança de cidade. Agora, afirmou que pediu para ir a uma vara de execução fiscal porque estava desenvolvendo estudos na área.

"Eu fui militar, usei uniforme, peguei um fuzil na mão. Isso me credencia a dizer que não tenho medo da morte. Jamais fui intimidado", disse o candidato do PSC.

O ex-prefeito buscou também distanciar o ex-juiz da imagem do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL). Ele relativizou a defesa de uma política de segurança dura feita pelo adversário.

"Bolsonaro tem credibilidade para falar isso porque fala há muito tempo. Você conheceu ele outro dia", afirmou

Paes também ironizou o compromisso assumido por Witzel de não morar no Palácio Laranjeiras, residência oficial do governador.

"Uma coisa é falar, a outra é fazer. Quando ele teve a oportunidade de receber auxílio moradia, mesmo tendo casa própria, recebeu", disse ele, em referência à informação revelada nesta quarta-feira (10) pela Folha de S.Paulo.

Com mais do que o dobro de votos de Paes no primeiro turno, Witzel evitou fazer ataques duros, tentando passar uma imagem mais equilibrada.

O candidato do DEM buscou colar no adversário a imagem de autoritário, em razão da ameaça de prisão.

"O candidato diz várias injúrias. Fique tranquilo, não vou pedir para te prender. Não sou autoritário nem frouxo", disse Paes.

"Nunca fui autoritário na minha vida pregressa como defensor público e juiz", disse o candidato do PSC.