Em defesa, Caboclo argumenta que diretores da CBF são testemunhas, legisladores e juízes de seu caso

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**ARQUIVO**BRASILIA, DF, 10.04.2019: O novo presidente da CBF Rogério Caboclo chega ao Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
**ARQUIVO**BRASILIA, DF, 10.04.2019: O novo presidente da CBF Rogério Caboclo chega ao Palácio do Planalto. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os advogados de Rogério Caboclo apresentarão como um dos argumentos principais na defesa do presidente afastado da CBF a confusão de funções dos diretores da entidade ao longo do processo.

Segundo eles, esses diretores atuaram como acusadores, testemunhas, legisladores e juízes no mesmo caso. A defesa de Caboclo será apresentada à comissão de ética da CBF nesta quarta-feira (7).

Caboclo foi suspenso pela comissão no começo de junho após ter sido acusado de assédio moral e sexual por uma funcionária da CBF.

Ele nega as acusações e diz que o caso está relacionado a articulações de Marco Polo Del Nero, ex-presidente da CBF, para retomar o comando da entidade. A dupla mantinha boa relação, mas ao forçar uma independência de seu antecessor, Caboclo se viu na mira.

Na quinta-feira (1º), a diretoria da CBF decretou o afastamento inicial de Caboclo por mais 60 dias, mas depois a medida foi revogada pelo presidente interino, Antônio Carlos Nunes, o coronel Nunes. No sábado (3), a comissão de ética decidiu ampliar a suspensão do dirigente pelos mesmos dois meses, o que segue em vigor.

Os advogados de Caboclo apontam que dos 13 diretores que haviam decidido pelo novo afastamento de Caboclo, cinco são testemunhas acusatórias no processo que tramita na comissão e um é denunciante.

No argumento da defesa, essa confusão de papeis evidencia a existência de um grupo ligado a Del Nero que estaria lançando mão de expedientes que estão fora das normas processuais da CBF para tirar Caboclo do comando, prejudicando assim a imparcialidade do processo.

Como mostrou a Folha, existe também um temor de Caboclo em relação à composição da comissão de ética da CBF, já que seus integrantes foram indicados por Del Nero. De acordo com os trâmites processuais regulares, caberá à comissão deliberar um parecer a respeito do caso, que então será submetido à assembleia geral da CBF, composta pelos 27 presidentes de federações estaduais.

Caboclo é representado pelos advogados Fernanda Tórtima, Wladimyr Camargos e Felipe Maranhão.

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