Em depoimento à CPI, reverendo chora e pede desculpas

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BRASÍLIA, DF, 03.08.2021 – CPI-COVID-19: O reverendo Amilton Gomes de Paula, fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), durante seu depoimento para os senadores na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em Brasília (DF), que apura as ações do governo federal no combate à pandemia causada pela Covid-19, nesta terça-feira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 03.08.2021 – CPI-COVID-19: O reverendo Amilton Gomes de Paula, fundador da Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah), durante seu depoimento para os senadores na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), em Brasília (DF), que apura as ações do governo federal no combate à pandemia causada pela Covid-19, nesta terça-feira. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O reverendo Amilton Gomes de Paula chorou durante o seu depoimento à CPI da Covid, nesta terça-feira (3), e pediu desculpas pelos erros que possa ter cometido.

O reverendo atuou como intermediário entre o Ministério da Saúde e a empresa Davati, que pretendia vender 400 milhões de doses da vacina AstraZeneca.

Durante seu depoimento, o reverendo evitou falar quais conexões políticas detém, ao ponto de conseguir ser recebido no Ministério da Saúde apenas quatro horas após ter encaminhado um primeiro email solicitando o encontro.

"Eu tenho culpa. Hoje de madrugada antes de vir pra cá eu dobrei os meus joelhos, orei", disse o reverendo chorando. Ele se emocionou com a fala do senador Marcos Rogério (DEM-RO), que o defendeu e chamou de "trambiqueiros" os intermediários de vacinas.

"Aí eu peço desculpas ao Brasil, porque o que eu cometi não agradou primeiramente aos olhos de Deus. Esse erro que eu cometi foi um erro que, se eu pudesse voltar atrás, eu voltaria atrás".

O reverendo afirmou que seu erro foi "abrir as portas" para os intermediários que queriam negociar vacinas. Disse que o fez apenas para "ajudar o Brasil" na busca por vacinas.

Em outro momento do depoimento, ele havia dito que ele e a sua entidade, a Senah (Secretaria Nacional de Ajuda Humanitária), foram "usados de maneira ardilosa para fins espúrios e que desconhecemos".

REVERENDO DIZ QUE NÃO ENCONTROU BOLSONARO

O reverendo repetiu diversas vezes que não conhece o presidente Jair Bolsonaro. No entanto, reconheceu que teria um encontro com o chefe do Executivo, mas que acabou adiado pois teria ficado doente.

O reverendo foi questionado diversas vezes por uma mensagem do policial militar Luiz Paulo Dominghetti, que buscava negociar vacinas, na qual afirma que "neste momento o reverendo está com o 01".

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) ainda lembrou uma fala da advogada da entidade do reverendo, a Senah (Secretaria Nacional de Ajuda Humanitária), chamada de Maria Helena, que confirmou o encontro com o presidente.

O reverendo afirmou que houve uma falha de comunicação.

"No dia 14 [de março], tivemos uma reunião na diretoria jurídica da Senah, onde eu avisei que, havendo possibilidade, eu estaria em um encontro com o presidente Bolsonaro. A nossa equipe estava saindo para Goiânia, então houve esse ruído de comunicação, aonde cada um foi passando a mensagem a Dominghetti e Cristiano [Carvalho, representante da Davati no Brasil] que tanto me importunava para falar com o presidente", afirmou.

"De novo: eu não fui porque no dia 15 eu tive uma crise renal. Eu me dirigi para casa e não fui para essa reunião", completou

Em outro momento, o reverendo foi questionado sobre um vídeo de 2019, no qual afirma que o presidente conheceria um projeto de moradia da Senah. Ele afirma que se referiu a Bolsonaro no contexto de "nação do Brasil".

"É um projeto que estamos trazendo para o governo, o governo como um todo. O governo Bolsonaro é a nação brasileira", afirmou.

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