Em depoimento à CPI, cientista teme que Brasil siga vulnerável em futuras pandemias

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Natalia Pasternak, que é cientista depõe à CPI da Covid nesta sexta-feira (11) (Foto: Reprodução/TV Senado)
Natalia Pasternak, que é cientista depõe à CPI da Covid nesta sexta-feira (11) (Foto: Reprodução/TV Senado)
  • A microbiologista Natalia Pasternak afirmou que Brasil precisa investir mais e de forma constante em ciência

  • Caso não o faça, continuará vulnerável à pandemias

  • Pasternak defendeu investimento nas áreas de desenvolvimento de antivirais e de vacinas

Em depoimento à CPI da Covid, a microbiologista Natalia Pasternak alertou que, caso o Brasil não invista em ciência de forma linear e constante, o país continuará vulnerável à pandemias, como está na crise do coronavírus

Natália falou sobre duas frentes importante no combate à doenças virais: desenvolvimento de medicamentos e vacinação. Para ela, seria importante aprofundar as pesquisas em antivirais, que são de difícil desenvolvimento, mas lembra que doenças causadas por vírus são historicamente controladas por vacinas. 

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"Tradicionalmente, doenças virais são controladas com vacina. Vale a pena investir no desenvolvimento de remédios? Claro que vale, mas é um investimento de longo prazo, que requer investimento em ciência, e um investimento contínuo", afirmou. 

"É um investimento que não pode ser feito em 'soluços', tem uma crise põe dinheiro para ciência, acabou a crise, tira o dinheiro. Não, ciência precisa de investimento constante, para treinar pessoas, para dar continuidade dos projetos de pesquisa. E se a gente não tiver esse investimento, na próxima pandemia, estaremos tão vulneráveis quanto estamos nessa."

A média explicou que, atualmente, as únicas doenças virais para as quais há medicamentos efetivos são a gripe (influenza), herpes e citou, também, o coquetel para HIV. "Antivirais são difíceis de obter justamente porque o vírus é um parasita intracelular, ele se aproveita do nosso mecanismo celular para se reproduzir. Então, a gente tem alguns antivirais muito específicos no mercado, geralmente eles servem para uma doença. Temos um antiviral que só serve para gripe, para a influenza, temos um antiviral que só serve para a herpes, temos o coquetel HIV, que foi um grande avanço", explicou. 

"Mas, em geral, doenças causadas por vírus não têm remédio. Ninguém aqui nunca tomou remédio para sarampo, para dengue, para febre amarela, para catapora. Se alguém pegar essas doenças, não têm remédio."

"Alguns medicamentos deram certo para inibir alguns mecanismos celulares e inibir replicação do vírus na célula, inibir alguma proteína que o vírus precisa, mas são difíceis de obter, por isso a gente tem tão poucos. Agora, como que a gente controlou doenças virais? Com vacina. Aí a gente teve muito sucesso. A gente tem vacina para um monte de doenças virais", lembrou. Pasternak citou a varíola, a febre amarela, a rubéola e outras.

A cientista ainda reforçou que nenhuma doença nunca foi erradicada com a chamada "imunidade de rebanho". Ela lembra que a varíola foi erradicada após 10 anos de campanhas mundiais de vacinação. 

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