Em depoimento, Carla Zambelli diz que Valeixo antecipou a ela pedido de demissão do comando da PF

Por Ricardo Brito

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - A deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP) afirmou nesta quarta-feira em depoimento que o então diretor-geral da Polícia Federal, Maurício Valeixo, disse a ela, em uma chamada de telefone por meio do aplicativo WhatsApp em 23 de abril, que havia pedido demissão do cargo naquele dia, sem revelar o motivo, mas o então ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro não tinha aceito.

Em depoimento, Zambelli disse ainda que Valeixo, na mesma ligação, chegou a dizer que o delegado Alexandre Ramagem seria um "bom nome como sucessor" e que ele faria uma transição do cargo de diretor-geral da PF.

A conversa relatada pela parlamentar ocorreu, segundo ela, na véspera da demissão Valeixo do comando da corporação, o que levou Moro a também sair do governo acusando o presidente Jair Bolsonaro de tentar interferir na polícia.

A declaração de Zambelli contradiz a versão dada por Valeixo, que, em depoimento, disse que não havia pedido demissão do cargo.

Segundo a deputada, Bolsonaro não confiava em Valeixo porque Moro era "desarmamentista".


SUPREMO

No depoimento, a deputada federal também relatou uma conversa que teve com o então ministro da Justiça na véspera da demissão e disse que trabalharia pela indicação dele junto a Bolsonaro na vaga que seria aberta em decorrência da futura aposentadoria do ministro do STF, Celso de Mello.

Zambelli disse que tinha a perspectiva de Moro ser indicado ao Supremo, tratando isso como "caminho natural" do agora ex-ministro.

Entretanto, a parlamentar afirmou que não chegou a ter qualquer conversa com o presidente no sentido de Moro aceitar a substituição do então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, tendo como contrapartida a vaga do Supremo.

Zambelli disse ter conversado com o secretário de Comunicação da Presidência, Fábio Wajngarten, e com o ministro da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos, "fazendo o possível" para que Moro permanecesse no cargo. Para ela, se a demissão dele não fosse efetivada naquela sexta-feira, haveria tempo hábil no final de semana para a composição do nome de um novo diretor-geral da PF.