Em depoimento à PF, Ibaneis diz ter recebido informações falsas do secretário interino de Segurança do DF quanto aos atos terroristas

Em depoimento à Polícia Federal, o governador afastado do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou que recebeu informações falsas do secretário interino de Segurança do DF, Fernando de Souza Oliveira, na tarde do último domingo, que garantiam o controle sobre as manifestações golpistas. Ibaneis afirma que fez contato anteriormente, no mesmo dia, com o titular da pasta, o ex-secretário Anderson Torres, que havia acabado de chegar aos Estados Unidos, apesar de ainda não estar de férias, que só se iniciariam na segunda-feira. Torres teria delegado a responsabilidade ao suplente que só avisou ao governador sobre a perda de controle das forças de segurança do DF sobre os manifestantes por volta das 15h30, quando os bloqueios policiais haviam sido furados e atos terroristas eram praticados nas sedes dos três poderes.

Aos investigadores, Ibaneis disse ter solicitado apoio das Forças Armadas ao ministro da Justiça Flávio Dino logo depois de ter tido ciência de que a situação estava fora de controle e se disse "decepcionado" e "revoltado" ao ver a passividade de alguns policiais militares, que chegaram a fazer fotos dos manifestantes que depredavam o patrimônio público. Ele disse ter sido vítima de "sabotagem".

"O declarante foi absolutamente surpreendido com a falta da resistência exigida para a gravidade da situação por parte da PM-DF e não quer e não pode generalizar esta afirmação, mas ficou revoltado quando viu cenas de alguns PMs se confraternizando com manifestantes. O declarante entende que houve algum tipo de sabotagem que a investigação ora desenvolvida deverá esclarecer", afirmou.

De acordo com ele, a exoneração do secretário Anderson Torres se deu por esta espécie de "omissão" em um momento de crise.

"A exoneração do secretário Anderson se deu em razão do fato de que este estava ausente do país no momento do trágico acontecimento e, portanto, o declarante perdeu a confiança no seu então secretário", completa.

Exército impediu remoção de acampamento bolsonarista

Indagado sobre as medidas adotadas para conter o acampamento de bolsonaristas em frente ao Quartel-General, Ibaneis afirmou que a área é de administração do comando do Exército. E, por isso, o governo do Distrito Federal aceitou a decisão das Forças Armadas de suspender a operação de retirada pacífica dos acampados no último dia 29. Nesta data, em entrevista coletiva, membros do governo afirmaram que o Exército havia se comprometido em realizar a remoção pacífica dos manifestantes bolsonaristas. Entretanto, a retirada não foi feita.

A Polícia Militar, naquele dia, não conseguiu realizar sozinha a operação pela truculência dos acampados. Ibaneis afirma que "o prazo foi sustado por ordem do comando do Exército".