Em depoimento, PMs dizem que operação na Vila Kennedy foi motivada por denúncia de guerra entre facções

Carolina Heringer

Os policiais militares do 14º BPM (Bangu) que participaram de uma operação na Vila Kennedy, na Zona Oeste do Rio, na madrugada de domingo, relataram em depoimento na 35ª DP (Campo Grande) que a ação foi motivada por informações sobre uma guerra entre facções criminosas rivais na comunidade. A operação terminou com cinco pessoas mortas, entre elas uma adolescente de 17 anos, um fuzil e quatro pistolas apreendidos. Apesar da versão dada em depoimento pelos PMs, ao ser questionada sobre a ação na manhã dessa segunda-feira, a assessoria de imprensa da PM informou que os policiais foram até a favela para reprimir um baile funk que estava ocorrendo.

Questionado sobre a divergência de informações, o coronel Mauro Fliess, porta-voz da Polícia Militar, afirmou que a operação foi planejada para coibir um evento de música não autorizado que ocorria na Vila Kennedy. No entanto, ao chegarem na favela, os policiais receberam informações sobre a disputa entre criminosos de diferentes quadrilhas pelo controle do tráfico na comunidade.

- A ida lá foi por causa do evento que ocorria sem autorização. Mas, chegando ao local, os policiais coletaram informações de que havia uma guerra de facções. Por isso essa informação foi dada na delegacia - afirmou Fliess.

O registro de ocorrência da operação foi feito na 35ª DP, mas transferido para a 34ª DP (Bangu), que ficará responsável pelas investigações do caso. De acordo com informações do 14º BPM (Bangu), os cinco mortos na operação estavam armados e trocaram tiros com os policiais. Além das armas, também foram apreendidas duas granadas.

A Vila Kennedy vem sendo disputada desde o fim do ano passado. Na ocasião, milicianos tentaram assumir o controle da favela, dominada pela maior facção criminosa do Rio. Desde o início deste mês, os confrontos na favela voltaram a ser frequentes. As informações são de que os paramilitares se associaram a uma quadrilha de traficantes para tentar mais uma vez tomar a comunidade.

Os confrontos da noite de domingo aconteceram na localidade conhecida como Manilha, em dois momentos diferentes. O primeiro acabou com dois baleados. Os policiais continuaram no local e houve um novo tiroteio, no qual ficaram feridas as outras três pessoas. Todos os baleados chegaram a ser levados para o Hospital municipal Albert Schweitzer, em Realengo, também na Zona Oeste, onde morreram.

Os mortos foram identificados como Pedro Henrique Félix Pinto, de 22 anos; Estevão Freitas de Souza, de 17; Jhonatan da Costa Gonçalves, de 28 anos; Gabriel Marques Cavalcante, de 22; e Vitor Matheus.