Em dia de reunião do Copom, governo revisa para cima projeção de inflação para 2021

Fernanda Trisotto
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BRASÍLIA — O Ministério da Economia revisou para cima a projeção de inflação para 2021 e, apesar das incertezas com a pandemia, manteve em 3,2% a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. A previsão da pasta é de que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a alta de preços no país, feche em 4,4%. No ano passado, a previsão era de 2,94%

A pressão da inflação leva analistas de mercado a preverem alta da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira (dia 17). A previsão é que o comitê aumente a taxa em 0,5 ponto percentual. Hoje, ela está na mínima histórica de 2% ao ano

“O principal responsável pela elevação da projeção (da inflação) foi o preço dos alimentos. Todavia, as expectativas a partir de 2022 apontam convergência da inflação para o centro da meta”, diz o Boletim Macro Fiscal, divulgado nesta quarta-feira.

A nova previsão de inflação está acima da meta estipulada para o ano, que é de 3,75%, mas ainda dentro do intervalo de tolerância que abarca uma variação de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.

Já em relação ao PIB, o governo manteve a projeção do ano passado baseado em dados do primeiro bimestre, mas reconheceu que há incertezas relacionadas ao avanço da pandemia.

“As incertezas são elevadas com os desafios de enfrentamento à pandemia, mas deve-se considerar os indicadores no primeiro bimestre que apontam continuidade da recuperação da atividade econômica”, observa a nota.

A estimativa acompanha tendência do mercado. A última edição do boletim Focus, do Banco Central, mostrou que o mercado espera um crescimento de 3,23% do PIB neste ano. Há quatro semanas, a aposta era de avanço de 3,46%.

Com alta no número de casos e mortes pela doença, muitos estados e cidades acabaram decretando medidas de restrição de circulação e até lockdowns, que terão impacto na atividade econômica ainda no primeiro trimestre.

O boletim destaca que, apesar de ter registrado uma queda de 4,1% em 2020, o PIB brasileiro teve um tombo muito menor do que o esperado.

O documento cita medidas que serão acionadas novamente para enfrentar esse novo período de agravamento da situação sanitária, como o programa de preservação do emprego e renda (BEm) e o auxílio emergencial.

“Contudo, é imprescindível que o país permaneça no caminho da consolidação fiscal e da agenda de reformas estruturais, que possibilitarão a elevação da confiança e maior vigor da atividade ao longo de 2021. São essas reformas que consolidarão o devido suporte ao crescimento econômico, permitindo que o país consiga atingir patamares sustentáveis de renda, emprego e bem-estar da sua população. As medidas de mitigação da crise tomadas em 2020 devem ser encaradas como temporárias e excepcionais”, diz a pasta.