Em dia de vacina contra febre amarela, tiroteio fecha postos de saúde no Rio

LUIZA FRANCO

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - No primeiro dia da campanha de vacinação contra febre amarela no Rio, um tiroteio fechou três postos de saúde no Complexo da Maré, conjunto de favelas na zona norte, na tarde deste sábado (25).

Policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) faziam uma operação na favela Parque União, quando houve o tiroteio. Uma pessoa foi ferido e levada ao Hospital Geral de Bonsucesso, também na zona norte, e três postos suspenderam o atendimento às 14h30 e não reabriram mais.

Este sábado foi o primeiro dia de vacinação em massa contra a febre amarela no Rio. Até então, os postos estavam restringindo o número de doses dadas por dia. Assim como já tem ocorrido durante a semana, os cariocas voltaram a enfrentar filas de até duas horas para serem imunizados.

Com cinco casos da doença no Estado, sendo que um deles levou à morte, as pessoas têm corrido para se vacinar. As autoridades, porém, se esforçam para evitar a corrida aos postos. Não está claro se há febre amarela entre macacos da cidade. Dois institutos credenciados pelo Ministério da Saúde chegam a conclusões diferentes sobre o assunto.

Quatro saguis e um macaco prego foram encontrados mortos em florestas nos bairros de Copacabana, Jardim Botânico e Gávea, na zona sul, além de Engenheiro Leal e Manguinhos, na zona norte. O primeiro resultado da análise, feita pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará, deu positivo para febre amarela.

O Evandro Chagas é o laboratório de referência nacional do Ministério da Saúde para o diagnóstico da febre amarela.

A pedido do governo do Estado do Rio, a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) fez outra análise, divulgada na última segunda (20), que não encontrou o vírus nos macacos. O resultado foi apresentado pelo governo do Estado como sinal de que não há casos da doença na capital.

Diante do impasse, o Ministério da Saúde diz que o teste da Fiocruz não pode ser considerado contraprova pois as análises diferem nas amostras e métodos utilizados. O ministério evita dizer qual dos dois é mais confiável e não informou se será feito um terceiro teste.

Todos os casos confirmados até agora no Estado ocorreram na cidade de Casimiro de Abreu.