Em ‘discurso de despedida’, Guedes agradece servidores e nega que haverá ‘herança maldita’

O ministro da Economia, Paulo Guedes, aproveitou a divulgação do relatório nesta terça-feira para fazer um discurso em tom de balanço e “despedida” em Brasília, embora o governo ainda tenha mais 40 dias até a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

— Quero agradecer a todo o time. Eu saio para o meu consolo, mas eles ficam. Vão continuar apanhando — disse o ministro, que não quis revelar o seu destino.

Em sua fala, Guedes aproveitou para agradecer publicamente à equipe de secretários que faziam parte da mesa, do Tesouro Nacional, Paulo Valle e do Orçamento Federal, Ariosto Culau, além de Esteves Colnago. Ele também agradeceu o apoio do presidente Jair Bolsonaro.

O ministro negou que seu governo está deixando uma “bomba fiscal” ou uma “herança maldita”. A equipe de transição de Lula, contudo, afirma que o orçamento proposto pelo atual governo para o próximo ano é “inexequível” e que precisa de mudanças para não parar programas sociais e essenciais.

— Acho oportuno participar porque ser fala muito em fiscal e é importante nós termos uma visão realista, com honestidade intelectual e seriedade, para não cair em narrativas falsas que são típicas de paixões eleitorais. Será que todos nós erramos e deixamos um país em ruínas, um país quebrado? Essa é a verdade ou tem muita gente mentido? — indagou o ministro.

Ele reiterou que o governo precisou enfrentar duas guerras, sanitária da Covid 19 e geopolítica com a guerra entre Rússia e Ucrânia e mesmo assim, vai sair devendo menos do que assumiu o país.

Guedes lembrou que a despesa primária estava em 19,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2019, saltou para 26,1% em 2020, depois caiu para 18,6% em 2021 e deve fechar este ano em 18,9%.

Ele lembrou ainda que dívida pública chegou a 88,6% e não 100% como apontavam alguns economistas que deverá fechar 2022 em 74,3%. Destacou também que este ano será a primeira vez em que o governo central apresentará superávit primário, após oito anos no vermelho.

— Como dá para alguém sério e preparado entrar numa conversa de herança maldita? — indagou Guedes novamente, acrescentando: - Esse é o registro de quem pagou o preço da guerra.