Em discurso no Maranhão, Bolsonaro errou dado sobre mortes por arma de fogo

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Jair Bolsonaro em congresso evangélico no Maranhão, em 14 de julho de 2022 (Foto: Facebook / Reprodução)
Jair Bolsonaro em congresso evangélico no Maranhão, em 14 de julho de 2022 (Foto: Facebook / Reprodução)
  • Nesta quinta-feira (14), o presidente Jair Bolsonaro discursou em um congresso evangélico no Maranhão

  • Em sua fala, Bolsonaro tratou sobre sua política armamentista e citou dado sobre o número de mortes por armas de fogo em 2016

  • O número utilizado por ele, no entanto, diz respeito a mortes violentas e não somente por armas de fogo

Em discurso no 38º CEADEMA (Congresso de Estadual das Missionárias e Dirigentes de Círculo de Oração da Convenção Estadual das Assembleias de Deus do Maranhão), o presidente Jair Bolsonaro (PL) tratou, dentre outros assuntos, sobre sua política de armamento da população. Ele atribuiu à sua política, a diminuição do número de mortes violentas no Brasil. O mandatário mencionou ainda um número de mortes por armas de fogo referente a 2016, contudo, o dado diz respeito às mortes violentas e não especificamente por armas de fogo.

Confira análise da reportagem do Yahoo! Notícias acerca da fala do presidente.

Mortes violentas x Mortes por armas de fogo

"Em 2016, não vou dizer quem era a presidente, nós tivemos no Brasil 61 mil mortes por armas de fogo. No ano passado, no meu governo, com essa política das armas, passou para 41 mil mortes"

Presidente Jair Bolsonaro em congresso evangélico no Maranhão, em 14 de julho de 2022

Diferentemente do que afirmou Bolsonaro, o número de óbitos por armas de fogo em 2016 foi de cerca de 44 mil, conforme o Atlas da Violência do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Ainda de acordo com o levantamento, naquele ano, aproximadamente 44 mil pessoas foram assassinadas por armas de fogo.

Outro estudo, publicado em 2018 na JAMA (The Journal of the American Medical Association) identificou cerca de 43 mil mortes por armas de fogo no Brasil. Nenhum dos estudos, porém, chegou a cifras próximas de 61 mil.

O número mencionado por Bolsonaro foi encontrado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mas não se refere a mortes por armas de fogo. Segundo o estudo, ocorreram 61 mil mortes violentas intencionais no país em 2016. O documento detalha que essa classificação se refere à "soma das vítimas de homicídio doloso, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais em serviço e fora", o que não se restringe a crimes com armas de fogo.

Além disso, a correlação feita pelo mandatário entre a política de liberação de armas e a diminuição de mortes ou crimes violentos é questionada por especialistas. Uma declaração do presidente nesse sentido já foi analisada pela reportagem do Yahoo! Notícias em outra oportunidade.

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