Em discurso voltado aos deputados, Lira promete coletividade e defende reformas

·2 minuto de leitura
Eleição na Câmara dos Deputados

BRASÍLIA (Reuters) - O deputado Arthur Lira (PP-AL), candidato do governo à presidência da Câmara, aproveitou seu tempo na tribuna pouco antes da votação que definirá o comando da Casa para prometer uma condução plural e coletiva, além de defender a necessidade de aprovação das reformas.

Ao reafirmar que dará ênfase às decisões colegiadas --o deputado promete reuniões de líderes todas as quintas-feiras--, Lira garantiu que haverá descentralização do poder da presidência da Câmara e previsibilidade da pauta, sem "personalismos", em uma crítica indireta ao atual chefe da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

"A Câmara não pode continuar sendo a Câmara do 'eu'", disse Lira a uma fala bastante voltada ao público interno. "A Câmara (será) do 'nós'. E isso não é um slogan de campanha, nem uma frase de efeito, isso é a alma desta Casa, o espírito do nosso regimento, algo que está impregnado em todos os lugares."

O deputado também comentou que, caso eleito, tem a intenção de promover um período "produtivo de aprovação de leis".

"Nós queremos essa Câmara unida, o Brasil precisa de reformas", afirmou. "O Brasil precisa tocar a pauta."

Lira argumentou ainda que promoveu uma campanha limpa, sem ataques, sem subterfúgios e sem "candidato laranja". Vários dos demais postulantes ao posto, e até mesmo Maia, acusaram o governo usar a promessa de liberação de emendas parlamentares e cargos para garantir votos ao líder do PP.

O deputado disse ainda acreditar na "consciência livre" dos colegas para que possam expressar o desejo de uma Câmara "autônoma" e "harmônica".

"Harmônica porque o Brasil não aguenta mais acotovelamentos, o Brasil não aguenta mais brigas, e o Brasil não aguenta mais puxar cordas", afirmou.

A relação entre Maia e Bolsonaro passou por inúmeros sobressaltos e atritos ao longo dos últimos dois anos. Na intenção de ter um aliado à frente da Casa, o Planalto se articulou para construir uma base de apoio no Congresso e se aproximou do chamado centrão, comandado por Lira.

Ao eleger um candidato seu ao cargo, o governo tenta, ainda, uma proteção extra aos inúmeros pedidos de impeachment contra o presidente, já que é o presidente da Câmara quem decide acatá-los ou arquivá-los.

Fontes consultadas pela Reuters ponderam, no entanto, que a eleição de Lira não implica necessariamente na blindagem de Bolsonaro.

(Reportagem de Maria Carolina Marcello)