Em disputa com o BTG por agentes autônomos, XP anuncia corretora com Messem

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SÃO PAULO — A corretora XP e a Messem, escritório de agentes autônomos ligados à companhia controlada por Guilherme Benchimol, anunciaram neste domingo a criação de uma nova corretora, em mais um passo na disputa com o BTG.

Na nova corretora, a Messem terá 50,1% de participação e o restante ficará com a XP de Benchimol. As duas empresas atuam em parceria há 14 anos.

A Messem nasceu a partir de uma filial da XP na cidade de Caxias do Sul (RS). Hoje, está presente em ao menos 15 cidades do país, e tem R$ 15 bilhões sob administração. Já a XP Inc. tem 500 pontos comerciais pelo país e mais de 9.000 agentes autônomos parceiros.

No primeiro trimestre deste ano, a companhia alcançou o recorde de R$ 715 bilhões sob custódia total, e é a maior corretora do Brasil.

A previsão é que a nova corretora entre em operação nos próximos 12 meses. O negócio ainda depende da aprovação de órgãos reguladores como o Banco Central.

Em nota, o diretor-executivo da Messem, Mauro Silveira, destacou o fato de ser o primeiro escritório de agentes autônomos da XP a se tornar corretora.

“Para nós, o desenvolvimento desse novo modelo de negócio, ao lado da XP, é um caminho natural”, disse.

Guilherme Sant’Anna, sócio-diretor da XP Inc., afirmou, também em nota, que o novo modelo de sociedade abrirá oportunidades para acelerar o crescimento da XP.

O negócio anunciado marca a reação da XP na disputa com o BTG para manter seus agentes autônomos. Até então, o banco fundado por André Esteves vinha levando a melhor na ofensiva.

A XP e o BTG disputam, por exemplo, a Monte Bravo, que administra R$ 16 bilhões e hoje tem acordo com a XP. A companhia criada por Esteves chegou a propor ser sócia minoritária (com 49%) na corretora que a Monte Bravo abriria, segundo a coluna Lauro Jardim.

No último dia 27, o escritório Miura, credenciado ao BTG, anunciou a incorporação da Ática Investimentos, que antes havia se desligado da XP.

O escritório de agentes autônomos Onix Capital, antes ligado à XP, informou no dia 26 que encerraria o contrato e que terminaria o vínculo com a instituição em 60 dias. Apesar de não ter revelado a qual instituição financeira vai se vincular, o mercado dá como provável uma afiliação ao BTG.

A Acqua-Vero, que administra R$ 8,5 bilhões, também já havia anunciado o fim da parceria com a XP, que se daria após prazo de 60 dias de aviso prévio. No dia 24, porém, anunciou uma rescisão por justa causa. “Entre as infrações cometidas pela XP está o cancelamento do acesso ao software de assessoramento dos clientes, o que impossibilitou a continuidade da prestação de serviços”, disse na ocasião, em nota.

A empresa, que fechou parceria com o BTG, também tem planos de ser uma corretora. A XP quer cobrar da companhia uma multa de R$ 134,9 milhões por suposta quebra de contrato.

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