Em documentário, Bill Clinton justifica que caso com Lewinsky era 'para lidar com ansiedade'

Extra, com agências internacionais
Ex-presidente americano Bill Clinton

Mais de 20 anos após o escândalo sexual que quase levou a um impeachment nos Estados Unidos, o ex-presidente americano Bill Clinton revelou que o estresse e a ansiedade foram os motivos para que tivesse o caso com a então estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky. A confissão foi feita no documentário "Hillary", lançado nesta sexta-feira na plataforma de streaming Hulu e que conta a história de Hillary Clinton, esposa do ex-presidente, ex-secretária de Estado americana e que foi candidata à Presidência em 2016.

No série-documental de quatro capítulos, Clinton conta que a traição deixou sua mulher "devastada". No final da década de 1990, o então presidente de 49 anos se envolveu com Lewinsky, de 22, no período em que comandava a Casa Branca. Segundo ele, o caso era algo que fez "para lidar com a ansiedade durante anos".

Hoje, com 73 anos, Clinton afirma que não considerou os riscos que o relacionamento poderia ter. Ao tentar ocultar o caso, o ex-presidente foi alvo de um processo de impeachment que motivou sua renúncia ao cargo.

— Ninguém senta e pensa: "acho que vou correr um risco realmente irresponsável". É ruim para a minha família, é ruim para o meu país, é ruim para as pessoas que trabalham comigo. — conta.

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Clinton disse ainda que se sentia sob muita pressão, mas confessou que, de qualquer forma, o que fez foi errado.

— A vida de todos tem pressões e decepções e terrores, medos do que for, coisas que fiz para lidar com minhas ansiedades durante anos — explicou.  — Todos trazemos nossa bagagem para a vida e às vezes fazemos coisas que não deveríamos. O que eu fiz foi horrível.

Bill Clinton inicialmente negou a relação com Lewinsky em uma declaração judicial gravada em vídeo, no âmbito de um processo por abuso sexual apresentado pela ex-funcionária do estado de Arkansas Paula Jones contra o ex-governador da região.

A Câmara de Representantes dos EUA aprovou seu processo de impeachment por mentir sob juramento sobre o caso com Lewinsky em dezembro de 1998, mas foi absolvido pelo Senado em fevereiro. Clinton disse que se sente "terrível" pelo affair ter afetado a vida de Lewinsky para sempre.

— Ao longo dos anos, vi ela tentando voltar a ter uma vida normal. Mas é preciso decidir o que você define como normal.

Para o ex-presidente, o pior foi ter que contar para sua filha, Chelsea. Hillary disse a seu marido que ele deveria contar para ela antes que a adolescente soubesse pela imprensa.

— Eu fiz isso, e foi horrível — afirmou Clinton — O que eu fiz foi errado. Simplesmente odiei machucá-la assim.

Ex-secretária de Estado, Hillary contou que se sentiu "devastada e ferida de uma forma tão pessoal" pelo caso. Ela, porém, acabou perdoando o marido e nunca se separou — uma decisão pela qual foi muito criticada.

No documentário, a ex-primeira-dama disse ainda que, com o movimento #MeToo contra assédio e agressão sexual por homens que abusam de sua posição de poder, algumas pessoas fazem uma nova leitura do que aconteceu.

— Vivemos tempos estranhos, em que, quando a opinião pública muda, as pessoas deixam de dizer 'ah, tão nobre, permaneceram em seu casamento' para 'ah, é tão incompreensível que eles continuaram em seu casamento' — disse Hillary.

Clinton, por sua vez, disse que é grato pela mulher não ter o deixado, apesar de ter pagado um preço alto por isso. Hoje, mais de duas décadas depois, ele afirma que é um homem diferente do de quando o escândalo veio à tona.

— Me senti tão grato por ela achar que ainda tínhamos o que era necessário para superar isso. Só Deus sabe o preço que ela pagou por isso — afirmou o ex-presidente. — Sou uma pessoa totalmente diferente da que eu fui. Talvez eu só esteja envelhecendo, mas espero que também seja porque passei por tudo isso.