Em dois anos e meio de governo Bolsonaro, Casa Civil pode ter quarto ministro

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BRASÍLIA — Caso seja confirmada a ida do senador Ciro Nogueira (PP-AL) para a Casa Civil, ele será o quarto ocupante do cargo em pouco mais de dois anos e meio de governo do presidente Jair Bolsonaro. Atual titular da pasta, Luiz Eduardo Ramos ficou menos de quatro meses no cargo, menor duração durante o governo Bolsonaro e uma das menores desde que o ministério foi criado.

Os antecessores de Ramos, Onyx Lorenzoni e Walter Braga Netto, ficaram pouco mais de um ano no cargo cada um: 413 e 405 dias, respectivamente. Onyx foi o primeiro titular da Casa Civil, após coordenar a campanha de Bolsonaro. Em fevereiro do ano passado, insatisfeito com o desempenho dele, Bolsonaro deslocou Onyx para o Ministério da Cidadania.

Seu substituto foi Braga Netto, na época ainda um general da ativa do Exército, que chegou ao governo com a experiência de ter comandado a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro.

Em março deste ano, houve uma nova troca de cadeiras, e Braga Netto foi deslocado para a Defesa, para substituir Fernando Azevedo e Silva, exonerado por falta de alinhamento com Bolsonaro. Enquanto isso, Ramos, que estava na Secretaria de Governo, foi para a Casa Civil.

Desde que a Casa Civil ganhou o nome atual, em 1992, Bolsonaro já é o segundo presidente com mais trocas na pasta, ao lado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também teve quatro ministros, e atrás de Dilma Rousseff (PT), que teve seis — com a diferença de que Lula ficou oito anos no governo e Dilma, seis.

Considerando a média de dias que cada ministro ficou na Casa Civil, Bolsonaro só fica atrás de Itamar Franco (MDB): são 310 dias contra 273. No caso de Itamar, no entanto, houve uma particularidade: o primeiro titular da pasta Henrique Hargreaves, afastou-se do cargo por uma denúncia de corrupção, mas retornou depois.

A pessoa que ficou mais tempo no cargo foi justamente Dilma, que comandou a pasta entre 2005 e 2010, no governo Lula. Já o governo com maior estabilidade no cargo foi o de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que teve um ministro para cada um de seus dois mandatos, de quatro anos cada: Clóvis Carvalho e Pedro Parente.

Michel Temer (MDB) também teve apenas um ministro da Casa Civil, após assumir o mandato com o impeachment de Dilma Rousseff. Foi Eliseu Padilha, um dos mais próximos aliados de Temer.

A pessoa que ficou menos tempo no cargo foi o ex-presidente Lula, nomeado ministro por Dilma em meio a crise que culminou no impeachment do petista. A nomeação de Lula na pasta foi suspensa pelo Supremo Tribunal Federal (STF) um dia após a cerimônia de posse.

A chegada de Ciro Nogueira ao Palácio do Planalto, se confirmada, representará uma alteração de perfil: depois de dois generais, o posto seria ocupado não só por uma político, mas por um dos principais líderes do Centrão, que já apoiou diversos outros governos.

O objetivo é justamente melhorar a articulação com o Congresso e especificamente com o Senado, que atualmente não tem nenhuma representante no ministério.

Outro mudança na tradição é que a maioria dos ex-ministros da Casa Civil eram pessoas próximas dos presidentes, geralmente filiadas ao mesmo partido ou mesmo amigos pessoais.

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