Em encontro com Biden, López Obrador pede mais 'audácia' em relação à imigração

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Após meses de uma relação desgastada, o presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador, foi direto ao ponto em seu encontro com Joe Biden, na Casa Branca, nesta terça-feira: pediu que o americano facilite a entrada nos EUA de trabalhadores mexicanos e centro-americanos “mais qualificados”, “para apoiar” a economia. Como esperado, a migração foi um dos temas centrais de um encontro que, sobretudo, serviu para encenar uma reaproximação após os últimos atritos na relação bilateral.

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— Digo com sinceridade e com muito respeito: é essencial para nós regularizar e dar segurança aos migrantes que por anos viveram e trabalharam de maneira muito honesta e também estão contribuindo para o desenvolvimento desta grande nação — acrescentou López Obrador, quem havia escrito suas declarações e falou por 31 minutos até que ambos os líderes foram deixados sozinhos para realizar a reunião bilateral. — Sei que seus adversários, os republicanos, vão gritar com essa perspectiva, mas sem um programa audacioso não será possível resolver os problemas. A saída não é pelo conservadorismo. A saída é através da transformação. Temos que ser ousados ​​em nossas ações.

Como parte de um plano de cinco pontos sobre o tema, o líder mexicano propôs ao seu homólogo americano "ordenar o fluxo migratório e permitir a chegada aos Estados Unidos de trabalhadores, técnicos e profissionais de diferentes setores, com vistos temporários".

— Os vistos servirão para garantir que a economia americana não fique paralisada por falta de mão de obra. O objetivo é ter a força de trabalho que será exigida pelo plano que ele propôs e aprovou pelo Congresso para alocar mais de US$ 1 bilhão para a construção de obras de infraestrutura — destacou o mexicano.

Em sua fala, de cerca de dez minutos, o presidente americano reconheceu que "concorda" com seu convidado e prometeu expandir os programas de vistos temporários de trabalho, que no ano passado ultrapassaram 300 mil documentos emitidos. Biden, no entanto, não citou números.

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— Precisamos trabalhar mais juntos. Trabalhando com o México podemos ajudar a resolver os problemas de ambos — limitou-se a dizer.

É a segunda vez que Biden e López Obrador se encontram pessoalmente. A primeira foi em novembro passado, no âmbito de uma reunião trilateral que contou com a participação do Canadá (grupo coloquialmente conhecido nos meios geoestratégicos como os Três Amigos), para discutir questões de interesse comum na região norte-americana.

Mas a recusa de López Obrador em participar da Cúpula das Américas, realizada em Los Angeles no mês passado, sob a justificativa de que Cuba, Nicarágua e Venezuela não haviam sido convidados, causou mal estar na relação.

Em sua fala, Biden destacou a vontade de fortalecer as pontes entre os dois governos sem ignorar, em qualquer caso, as recentes tensões diplomáticas. Ele descreveu AMLO, como o mexicano é conhecido, como um "amigo" e "aliado" com quem mantém "uma relação forte e produtiva", apesar das manchetes da imprensa dizerem o contrário.

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A visita ainda é marcada ainda pelo luto pela tragédia dos mais de 50 migrantes mortos em um caminhão no Texas, dos quais mais da metade era mexicana. Durante encontro, o democrata também afirmou que seu governo está aumentando os esforços na luta contra o tráfico de drogas e de pessoas.

— Precisamos que todos os países da região se juntem a nós — enfatizou Biden, citando a tragédia. — Temos de enfrentar estes desafios juntos.

Inflação

Além da migração, outra questão que realmente preocupa os cidadãos é conter a inflação, superior a 6% nos Estados Unidos e de quase 8% no México, e afastar o espectro da recessão. No encontro, López Obrador também enfatizou a necessidade de lidar com tema de maneira conjunta, problema que envolve as duas economias devido à sua profunda interconexão.

— Devemos lembrar que o desenvolvimento de nossas nações depende fundamentalmente de nossa capacidade produtiva — disse, lembrando da estreita relação entre os dois vizinhos. — Desde que a crise energética começou, o México destinou 72% de suas exportações de petróleo bruto para os Estados Unidos. Enquanto esperamos que os preços ou a gasolina caiam nos Estados Unidos, achamos necessário permitir que os americanos que vivem perto da fronteira peguem sua gasolina do nosso lado a preços mais baixos.

Mais tarde, López Obrador sugeriu uma solução: “preços mais baixos para os consumidores em nossos dois países”.

O presidente mexicano já lançou um programa de subsídio a combustíveis em seu país com o objetivo de moderar os preços. Durante a reunião de terça-feira, ele também propôs um plano conjunto de investimento público-privado para produzir mais gasolina.

O dia começou com o café da manhã na residência da vice-presidente Kamala Harris, localizada nas dependências do Observatório Naval, a noroeste de Washington. Ambos não hesitaram em definir a relação como "amizade", após seu terceiro encontro em um ano e meio (os anteriores foram no México, em junho de 2021, e em novembro, em Washington). Nesta terça-feira eles discutiram "as causas fundamentais da migração centro-americana", tema pela qual a vice-presidente tem um interesse especial dentro do governo Biden, que a enviou em uma turnê pela região no ano passado.

O presidente mexicano chegou segunda-feira acompanhado de sua mulher, Beatriz Gutiérrez Müller, em um voo comercial para a capital dos Estados Unidos, onde está hospedado em um hotel e não, como de costume, na residência do embaixador, Esteban Moctezuma, que está com coronavírus. O casal é acompanhado por uma delegação que inclui o chanceler Marcelo Ebrard, que deveria dar entrevista coletiva na Embaixada no final do dia; e a secretária de Economia, Tatiana Clouthier Carrillo; o secretária de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Víctor Manuel Villalobos Arámbula; e o chefe do Instituto Nacional de Migração, Francisco Garduño Yáñez.

A agenda de López Obrador foi completada com uma visita aos monumentos a Martin Luther King e ao memorial dedicado ao presidente Franklin Delano Roosevelt (1933-1945).

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