Em entrevista à CBN Recife, Bolsonaro mentiu sobre declaração de Edson Fachin

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Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista para a rádio CBN Recife, em 13 de junho de 2022 (Foto: Reprodução / YouTube)
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  • Presidente Bolsonaro concedeu hoje (13) ​​uma entrevista à rádio CBN de Recife

  • Na conversa, ele repetiu informações falsas sobre fraudes nas eleições e afirmou que o ministro Edson Fachin o acusou de ter contratado hackers para interferir nas eleições

  • No entanto, não há indícios as urnas tenham sido fraudadas e Fachin jamais fez tal acusação

Nesta segunda-feira (13), o presidente Jair Bolsonaro (PL) concedeu uma entrevista à rádio CBN de Recife. A conversa foi transmitida no canal do YouTube da rádio e do presidente, somando mais de 30 mil visualizações na plataforma.

O mandatário voltou a levantar dúvidas sobre as urnas eletrônicas e afirmou que há indícios de fraudes na eleição de 2018, na qual ele foi eleito presidente. Além disso, ele alegou que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin o acusou de ter ido à Rússia contratar hackers para fraudar as eleições deste ano.

Contudo, é falso que haja indícios de que as urnas eletrônicas já tenham sido fraudadas e o ministro jamais fez declaração semelhante.

Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista para a rádio CBN Recife, em 13 de junho de 2022 (Foto: Reprodução / YouTube)
Presidente Jair Bolsonaro durante entrevista para a rádio CBN Recife, em 13 de junho de 2022 (Foto: Reprodução / YouTube)

Fraude nas urnas em 2018

"Tudo leva a crer [...] que houve fraude no primeiro turno [em 2018]"

Presidente Jair Bolsonaro (PL) em entrevista à Rádio CBN Recife em 13 de junho de 2022

O TSE, em diversas ocasiões, já desmentiu boatos sobre a ocorrência de fraudes nas eleições presidenciais de 2018: "É falsa a informação de que um hacker desviou 12 milhões de votos da urna eletrônica durante as Eleições de 2018", afirmou o tribunal em seu site.

A corte já explicou que as urnas não têm conexão com a internet, e por isso não é possível que elas sejam invadidas remotamente.

Desde que o equipamento eletrônico passou a ser utilizado em 1996, não há indícios de que as eleições tenham sido fraudadas.

Hackers russos

"Quando eu estava na Rússia […] o Fachin declarou aqui no Brasil que eu fui contratar hackers russos para interferir nas eleições. A imprensa toda noticiou isso aí"

Presidente Jair Bolsonaro (PL) em entrevista à Rádio CBN Recife em 13 de junho de 2022

Quando Bolsonaro esteve na Rússia, entre 15 e 17 de fevereiro deste ano, o presidente do TSE e ministro do STF Edson Fachin mencionou, em mais de uma ocasião, possíveis ataques de hackers russos ao sistema eleitoral brasileiro. Em nenhum momento, contudo, ele citou um suposto envolvimento de Jair Bolsonaro.

"Há riscos de ataques de diversas formas e origens tem sido dito e publicado por ex que a Rússia é um exemplo dessas procedências o alerta contra isso é máximo e vem num crescente a guerra contra a segurança no ciberespaço da já foi declarada faz algum tempo", disse o ministro em 15 de fevereiro na reunião de transição do TSE, que antecedeu sua posse como presidente do tribunal.

Em 16 de fevereiro, o ministro concedeu uma entrevista ao Estadão, na qual reiterou o alerta:

"A preocupação com o ciberespaço se avolumou imensamente nos últimos meses e eu posso dizer a vocês que a Justiça Eleitoral já pode estar sob ataque de hackers, não apenas de atividades de criminosos, mas também de países, tal como a Rússia, que não tem legislação adequada de controle".

Na ocasião, ele afirmou que foram detectados pela corte riscos de ataques advindos também da Macedônia do Norte.

Em nenhuma das ocasiões, no entanto, o ministro acusou o presidente Jair Bolsonaro de ser o mandante dos ataques, tampouco afirmou que ele havia ido à Rússia para contratar hackers. À reportagem do Yahoo! Notícias, a assessoria de imprensa do TSE reforçou que "o ministro Fachin nunca deu tal declaração".

Uma busca por tal declaração no Google não encontrou resultados em veículos de imprensa.

15 de junho de 2022: Matéria atualizada para acrescentar posicionamento do TSE sobre fala do ministro Fachin.

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