Em entrevista, André Mazzuco fala da pressão no Botafogo, Patrick de Paula e adianta: 'queremos aumentar o nível da equipe'

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Em 10 de fevereiro, o Botafogo começava a prometida transformação com a SAF comandada por John Textor. Como ato inicial era anunciado o diretor de futebol André Mazzuco, além do chefe de scout Alessandro Brito. Desde então, muitos jogadores e funcionários foram contratados e investimentos em estruturas foram feitos. Em entrevista ao GLOBO feita no último sábado, Mazzuco explicou a experiência no Botafogo, falou sobre a pressão e críticas sobre ele, Textor e Luís Castro e detalhou o que está por vir na segunda janela de transferências, que começa em 18 de julho.

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Como é trabalhar no "novo Botafogo"?

É um privilégio para a gente estar aqui nesse momento. Quem não queria ser o diretor do Botafogo quando você vai no estádio com 40 mil pessoas? É a segunda experiência que eu tenho (em um clube-empresa). Trabalhei no Red Bull, que já tinha um formato multiclubes como o que buscamos com a Eagle Holding, do John. O processo estatuário é muito difícil pro futebol. Acho que as grandes mazelas do futebol são essas mudanças de gestão dos clubes associativos, porque eles não tem uma sequência nas melhorias e nos processos que devem fazer.

O clube-empresa facilita o trabalho do diretor de futebol?

Acho que facilita para todos, porque não tem o lado político e da desorganização que os clubes vivem, financeira e administrativa, atrapalhando o processo técnico. No futebol a gente fala muito dos clubes que atrasam salário, que acabam tendo esses problemas administrativos, e isso torna até a cobrança mais difícil. Como você vai cobrar algo sendo que o clube não entrega o que precisa?

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Antes do campeonato, falava-se em ficar na Série A. Agora, já se fala em G-4. O sarrafo subiu?

Não, a nossa expectativa é a mesma. O nosso planejamento é voltado para um primeiro passo do clube, que é a reestruturação, o aumento do nível da equipe e a implantação de vários processos, desde a área administrativa até o futebol. Lembrando que a transição do Botafogo começou a ocorrer em fevereiro, mas não ocorreu em fevereiro. Ainda estamos em processo de mudança. Se a gente conseguir vaga na Libertadores, legal, superou as expectativas. Mas não é o que estamos vendendo. Vamos trabalhar sempre para o melhor, mas sabemos os processos que temos que passar para isso.

Como é trabalhada a expectativa de fora para dentro?

A gente tem que saber administrar. O que a gente mais quer é o torcedor perto de nós. Claro, a expectativa melhorando, a crítica vai aumentar. A nossa gestão tem que ser de dentro para fora, não pode ser de fora para dentro, com todo respeito aos torcedores. Um clube vencedor não se faz por um time bom que ganhou algo na temporada. Queremos brigar de forma consistente.

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Como acha que Textor e Castro podem agir caso os resultados não venham?

Uma sequência de derrotas gera uma crise enorme que você tem que saber lidar, e sabemos da grande dificuldade. O John está muito próximo a nós, quase que diariamente. Ele passa muita confiança em relação ao processo. Não é só o time, em si, ganhando ou perdendo. Ele entende que isso vai ser normal.

Sobre o Luís, ele até brincou: “não tenho nenhum alívio”, porque é um campeonato com 20 boas equipes. É um cara de bastante experiência. Entendeu a ideia, gostou do projeto e está feliz demais. É um cara que nos ajuda a aumentar o nível de exigência do clube. Foi um grande acerto do clube.

Qual é a influência dele para o projeto do clube?

Já passei por diversos treinadores, então pude conhecer vários perfis, trabalhos e metodologias. Te falo com todas as letras: sou privilegiado de ter um treinador, e não só o Luís, mas o staff junto conosco aqui. É um cuidado muito especial com o time. A sintonia é muito grande e tem funcionado. São pessoas maravilhosas, além de excelentes profissionais, e isso é uma exigência que nós fazemos hoje com Botafogo. O ambiente no futebol é o que te dá o suporte no momento ruim e no momento bom. Acho que a gente tem trabalhado com esse conceito diariamente e as coisas estão realmente evoluindo. Mais uma vez, independente de resultado de campo. Pode acontecer uma derrota, uma sequência, mas o processo do clube ele tem uma forma, tem um norte, e a gente tá satisfeito com isso.

O Patrick de Paula foi contratado com grande expectativa e não tem conseguido desempenhar bem. Como tem sido o trabalho com ele?

O Patrick é um jovem, mas ele não chegou no Botafogo à toa. Assim como ele não fez o que fez no Palmeiras à toa. Ele tem um potencial enorme. Acho que veio no momento daquela nova expectativa, então recebeu um peso extra por isso. Ele não precisa ser o melhor jogador do Brasil agora. Não trouxemos o Patrick para fazer isso. A gente trouxe o Patrick para ser um símbolo do Botafogo, porque nós acreditamos que ele é um menino que tem uma energia muito boa e que a gente sabe que também tem que desenvolver, como o Hugo e o Romildo. A gente acredita nesses meninos como perfil.

Dentro de uma plataforma multiclubes, queremos ter expectativas desses meninos para darem um salto mais para frente em outros clubes. Esse é o grande lance. A gente tem que ser ótimos identificadores de atletas, captadores, desenvolvedores, e depois a gente também tem que ser aquela porta de saída de uma situação muito boa para o clube para o atleta também. Esse ciclo a gente tem que fazer bem e acho que o Botafogo vai ter oportunidade de fazer isso.

Como o Botafogo irá para a janela de transferências?

Acho que a janela vem dentro da necessidade. Em cada uma você pode fazer boas coisas, dependendo do momento do clube. Seja uma venda de jogador, seja poder aumentar o nível da sua equipe, a gente está trabalhando dessa forma. Queremos aumentar o nível da equipe mais um pouquinho, entender algumas arestas que a gente pode estar fechando. Eu brinco que o pessoal as vezes fala "ah, o Botafogo gastou R$ 70 milhões e nós não temos um camisa 10". Eu acho isso muito relativo. Lógico que a gente quer mais um meio campista, essas coisas todas, mas por que o camisa 10? Será que é assim que o Luiz joga? Será que assim que a gente quer jogar? Vai ser uma janela mais pontual, de meio de competição. E aí a gente tem um semestre inteiro para entender a nossa equipe para avaliar os atletas, para daí sim pensar na temporada seguinte.

O clube vive um novo momento financeiramente. Como isso influencia nas negociações?

Não é que o Botafogo ficou rico. Hoje tem uma estrutura de suporte que permite o clube se organizar: pagar salários em dia, trazer jogadores de um nível mais alto, o que vai ajudar também os próprios jogadores formados no clube. Na questão dos atletas, a gente sofre um pouquinho por isso, né? “Ah, agora o Botafogo tem dinheiro, virou o Crystal Palace”. Não é isso. E quando a gente fala do John, ele é um cara sensacional, mas também tem uma empresa por trás dele, a Eagle Holding. Quando se fala em empresa, os caras não vão só colocar dinheiro, “ah, vamos doar”. Mas o bom é que o mercado tem uma imagem positiva hoje, porque o Botafogo está organizado. Não vai deixar de pagar um clube se adquirir um jogador. Acho que, por exemplo, passada essa temporada, o ano que vem a gente vai ter mais facilidade. As pessoas realmente vão entender o Botafogo e vão querer vir aqui.

Em que ponto estão as renovações de Matheus Nascimento e Erison?

Estão em andamento. Não só deles, mas com vários atletas. Todas elas estão sendo conduzidas, inclusive com envolvimento do John. Ele participa ativamente desse processo.

Tem alguma situação já encaminhada?

Está tudo em andamento. Não sei o que seria encaminhada (risos). Mas está tudo em andamento. Vamos entender o melhor desfecho depois.

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