Em entrevista, Paulo Gustavo falou sobre cumplicidade com a mãe, Déa Lúcia

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Internado desde o dia 13 de março, o ator Paulo Gustavo morreu, na noite dessa terça-feira, aos 42 anos, por complicações da Covid-19. Para homenagear a estrela de grandes sucessos do cinema nacional, relembramos a entrevista que o comediante e sua mãe, Déa Lucia, concederam à ELA, em março de 2019.

Entre os inúmeros assuntos, Déa falou e Paulo falaram o espetáculo que protagonizaram juntos, "Filho da mãe", que estreou nos palcos em abril de 2019. "Esse musical é uma grande homenagem à minha mãe e a todas as mulheres guerreiras, que se viram e a todas as mulheres guerreiras, que se viram nos trinta para manter a família. Quando a gente era criança, a vida da minha mãe foi luta atrás de luta. Além do trabalho como professora, ela fez quentinha, que eu entregava em Niterói, criou painel para festa infantil, foi corretora de imóveis, porteira do prédio em que morávamos e cantou na noite. Vamos fazer esse show para nos divertir, brincar com uma coisa que foi séria, porque, antigamente, ela cantava para angariar um dinheiro extra. E não é fácil cantar na noite, ninguém olha na cara, às vezes, nem aplaude — analisou o ator.

Sobre as inúmeras funções que a mãe exerceu no passado, algumas, é claro, dão muito pano para manga. "Ele era adolescente e tinha ódio e vergonha de eu ser a porteira do prédio. Já na época das quentinhas, virou-se para mim e disse: 'Vou entregá-las sim, mas de patins'. No que eu o agarrei e respondi:'“Se você cair com uma quentinha, vou esfregar sua cara no fogão do mesmo jeito que esfrego o meu umbigo desde as seis da manhã'. Lá em casa não tinha psicologia não, era 'porradaterapia'. Briguei muito com eles e por eles", relembrou Déa.

O comediante falou ainda sobre a abordagem materna em relação à sua orientação sexual, durante a adolescência. "Com a minha mãe foi tudo muito natural. Eu estava indo do quarto para a cozinha quando ela me perguntou: 'Paulo Gustavo, você é viado?'. Foi assim, indo comprar pão. Eu respondi: 'Sou, tem algum problema?'. Ela soltou um palavrão e completou: 'Está tudo certo, só tenho medo de você ser maltratado na rua. Em casa, você pode ser o que quiser porque eu vou te amar do mesmo jeito. Estamos fechados e vamos juntos'. Minha mãe ligou zero para o fato de eu ser viado", contou.

Déa sempre esteve atenta ao filho e se preocupou em dar a ele recomendações: "Tem uma foto do Paulo Gustavo aos 5 anos que eu lembro de ter pensado com os meus botões: 'Gente, esse garoto não tem jeito não'. Com o tempo, mostrei a importância de ele ser um homem em pé, ético, educado e responsável. Deitado, não era problema de ninguém. Para ele ser respeitado, tinha que respeitar os outros. O filme 'Minha mãe é uma peça' fez muito pela causa gay, foi um alerta e um alento para as mães que não conseguiam entrar nesse assunto com os seus filhos."

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