Em entrevista a rádio, governador Cláudio Castro diz não se preocupar com bloco da Cedae sem propostas: 'Os outros eram muito melhores'

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Em entrevista à rádio CBN na manhã desta terça-feira (4), o governador do Rio, Cláudio Castro, voltou a elogiar o leilão do Cedae, cujo resultado, segundo ele, "foi o melhor possível". Castro disse também que não se preocupa com o destino do Bloco 3 do pregão, que acabou sem proposta de concessionária privada, pois "os outros blocos eram muito melhores".

— (Não me preocupa) Nem um pouco. Acho que ficou sem oferta porque os outros eram muito melhores. Agora, reconcessionando o bloco, com certeza vai haver muitos interessados — disse.

Composto por 22 bairros da Zona Oeste da capital cujo território está majoritariamente dominado pela milícia, como Campo Grande, Bangu e Santa Cruz, e por outros seis municípios do estado, o Bloco 3 tinha outorga mínima de R$ 908 milhões. A previsão é de que o lote seja relicitado até o fim do ano, com a participação de prefeituras que demonstraram interesse após o pregão de sexta-feira (30), segundo o secretário estadual da Casa Civil, Nicola Miccione. Com o novo contrato, Castro prevê a arrecadação de até mais R$ 2 bilhões em outorgas, que até agora trouxeram aos cofres públicos quase R$ 23 bilhões:

— O resultado do leilão é o melhor possível. Se na História do Brasil esta é a segunda maior concessão que já aconteceu, para o Estado do Rio de Janeiro é o maior leilão disparado. São 26 mil empregos diretos e indiretos, R$ 30 bilhões de investimentos, mais quase R$ 23 bilhões de outorga. Ainda vai ter o terceiro lote, que a gente vai reconcessionar. Acho que vai dar mais R$ 1,5 bi, talvez dê mais 2 bi. Sucesso Total. Isso mostra que o rio é competitivo, um local de investimento. Acredito muito nessa concessão.

Castro também afirmou que deverá instalar uma agência reguladora para que haja "cobrança dura" sobre as concessionárias pelo cumprimento das cláusulas de contrato.

O governador traçou projeções para seu mandato após o impeachment de Wilson Witzel. Ele diz que estuda possíveis alterações no secretariado junto a sua equipe, mas indica que o chefe da pasta de Saúde, Carlos Alberto Chaves, com quem teve um desentendimento público no mês passado a respeito da criação e dos nomes do Comitê Científico de Enfrentamento à Covid-19, não será uma delas.

— Estou satisfeito com ele. Não tive atrito nenhum com ele: eu disse que ele sabia (da criação do comitê), ele disse que não. Talvez ele não tenha entendido naquele dia que haveria comitê. Mas ele foi uma peça importante, pegou uma secretaria afundada em crise de corrupção e, em oito meses, a gente nunca mais ouviu de corrupção na saúde — disse.

Castro ainda desconversou sobre o atrito que teve com o presidente da Alerj, André Ceciliano, sobre o leilão da Cedae. Em sessão no plenário, Ceciliano chegou a acusar Castro de ameaçar parlamentares pela realização do pregão. Nesta terça, o governador negou que tenha feito ameaças, mas se recusou a dizer que Ceciliano mentiu.

— Ontem fui à Alerj e conversei longamente com Ceciliano. Já estamos olhando para a frente e vendo projetos para o estado. Quanto à alegação dele, foi o calor da emoção ali, quem me conhece um pouquinho sabe que eu sou do diálogo. Também teve gente que disse que foi ele que ameaçou, mas no fim das contas foi só uma divergência de ideias. Não posso dizer que ele mentiu, talvez ele só estivesse enganado.