Em esforço para melhorar imagem, Bolsonaro convoca pronunciamento em cadeia nacional

GUSTAVO URIBE E DANIEL CARVALHO
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Na tentativa de convencer que mudou de retórica em relação à vacinação contra a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convocou um pronunciamento em cadeia nacional para a noite desta terça-feira (23). A gravação foi feita na tarde desta terça-feira (23) e, segundo o Palácio do Planalto, será exibida às 20h30. Segundo assessores presidenciais, a intenção do discurso é incentivar a população a se vacinar contra a doença. Desde o início do mês, diante da perda de popularidade e do aumento das críticas nas redes sociais, o presidente adotou uma estratégia de imagem que foi apelidada de "Plano Vacina". A iniciativa envolve tanto a troca no comando do Ministério da Saúde, efetuada nesta terça-feira, como uma campanha nacional de vacinação, que deve ser veiculada ainda neste mês. A peça publicitária preparada pela comunicação da Presidência da República deve estimular a população a se informar sobre a imunização de sua faixa etária e deve explorar a imagem do Zé Gotinha. Além disso, o presidente adotou uma retórica favorável aos imunizantes, uma mudança em relação a postura adotada no ano passado, quando chegou a criticar a Coronavac, vacina produzida no Brasil pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac. Bolsonaro, 66, também decidiu se vacinar no próximo mês, quando está programada a imunização de sua faixa etária. A ideia é que ele seja imunizado pelo recém-empossado ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e receba uma dose da AstraZeneca, produzida no Brasil pela Fiocruz. Só neste mês, o presidente cancelou três discursos que faria em cadeia nacional. Nos episódios, ele foi convencido a recuar diante da intenção de usar a cadeia nacional para criticar medidas de restrição de deslocamento adotadas por governadores e prefeitos. A mudança de retórica de Bolsonaro em relação à vacina, contudo, não tem convencido integrantes nem do Judiciário nem do Legislativo, para os quais o encontro marcado pelo presidente para quarta-feira (24) não deve ter resultados concretos.