Em evento com parlamentares, Bolsonaro reclama da derrubada de vetos pelo Congresso

Marco Grillo

BRASÍLIA – O presidente Jair Bolsonaro reclamou, nesta quarta-feira, da derrubada de vetos imposta pelo Congresso recentemente. Segundo o presidente, as derrotas do governo acontecem, em alguns casos, porque os parlamentares não têm conhecimento do que estão votando e apenas seguem a orientação das lideranças partidárias.

Bolsonaro discursou por cerca de 20 minutos em um evento organizado pela Frente Parlamentar Evangélica. Ele citou como exemplo a necessidade de sabatina no Senado para os diretores do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transporte (Dnit). O presidente havia vetado a obrigatoriedade de sabatina, o que foi revertido pelos parlamentares. O evento teve a presença de parlamentares, como o presidente da Frente Parlamentar Evangélica, deputado Silas Câmara (Republicanos-AM), e o deputado Sóstenes Cavalcante.

Depois que uma lei é aprovada pelo Congresso, ela vai à sanção presidencial. O presidente pode sancioná-la na íntegra, vetar trechos ou vetá-la integralmente. Caso haja vetos, eles são analisados pelos parlamentares, e os trechos retirados podem ou não ser restabelecidos.

– Não entendo certas derrubadas de vetos. O cara (parlamentar) não leu, não sabe. Pegou o papel do líder, botou lá e derrubou o veto. Igual ao Dnit. Sabemos como é o Dnit. É um foco de tudo, para o bem e para o mal. Eu vetei, o Congresso derrubou. Para indicar o chefe do Dnit, vai ter que passar por uma sabatina – disse Bolsonaro.

Em 2019, o Congresso também derrubou vetos relacionados à legislação eleitoral, permitindo, por exemplo, o uso de verbas públicas para o pagamento de passagens aéreas de quem for participar de eventos partidários.

Em outro momento, o presidente disse que Executivo e Legislativo precisam se “aproximar um pouquinho mais”:

– A chance de mudar o Brasil é agora. Falta ao Parlamento descobrir a força que tem. Se a gente jogar junto, só um ano, a gente muda o Brasil, muda mesmo. Todo mundo vai lucrar.

Bolsonaro também ironizou o fato de o Ibama ter aplicado em 2019 o menor número de multas ambientais em 15 anos. O levantamento foi feito pelo Observatório do Clima.

– Liguei para o Ricardo Salles (ministro do Meio Ambiente) e falei: “Quero que ano que vem bata o recorde negativo de novo”. Temos que dar liberdade a quem produz – afirmou o presidente.

A cerimônia foi fechada para a imprensa durante o período em que o presidente participou. Segundo o Palácio do Planalto, “o evento, que acontece desde o início da manhã desta quarta-feira, não prevê a cobertura de imprensa. O compromisso do presidente no local, sem cobertura de imprensa, apenas seguiu o andamento do evento”. A presença dos jornalistas, no entanto, foi permitida depois da saída de Bolsonaro.