Em evento sem Bolsonaro, governo agora promete trem até Cumbica para 2023

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GUARULHOS, SP (FOLHAPRESS) - Após inúmeras promessas de uma ligação por trilhos entre a região central de São Paulo e o Aeroporto de Cumbica, em Guarulhos, foi assinado nesta quarta-feira (8) um termo que prevê a construção da conexão em até 24 meses.

O acordo entre o governo federal e a concessionária GRU Airport prevê a construção e a operação do "people mover" ou "aeromóvel", um trem que irá ligar a estação Aeroporto da CPTM aos terminais de Cumbica.

A obra tem custo estimado de R$ 270 milhões. O valor será descontado do que a concessionária deveria pagar à União pela outorga do aeroporto.

O governo federal afirma que o sistema terá capacidade de transportar 2.000 usuários por hora em cada direção e que o tempo de viagem e de espera será de seis minutos. Não haverá cobrança extra por esse trecho final.

Atualmente, quem precisa fazer o trajeto entre Cumbica e a estação da Luz (no centro de São Paulo) conta com o expresso da linha 13-jade, mas os terminais ficam longe da estação Aeroporto da CPTM, o que obriga os usuários a pegarem um dos ônibus gratuitos cedidos pela concessionária para fazer o deslocamento.

Essa baldeação acaba aumentando o tempo de viagem. Para ir da estação até o terminal 2, o mais movimentado, o ônibus leva quase 10 minutos.

Além disso, a distância causa desconforto nos passageiros, obrigados a arrastar malas pelas escadas e se apinhar nos coletivos.

Segundo Marcelo Sampaio, secretário-executivo do Ministério da Infraestrutura, a obra do monotrilho começará imediatamente. "O aditivo prevê 24 meses para a conclusão completa da obra, mas nós estamos conversando com a concessionária para que sejam feitas entregas intermediárias", disse.

Ele diz que, após conversas com a concessionária, o governo federal espera que até o fim do ano que vem o novo sistema já esteja funcionando parcialmente.

Também afirma que a existência do monotrilho dará previsibilidade de horários para os passageiros, o que fará com que a demanda aumente.

"Você vai saber exatamente que em 48 minutos ou em 51 minutos você vai estar dentro do terminal para embarcar. Isso vai atrair muitos passageiros para o aeroporto", afirmou.

Em julho, a diretoria da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou esse termo de aditivo no contrato de concessão da GRU Airport, que incluiu no rol de obrigações da concessionária o investimento de implantação do aeromóvel.

Um consórcio chamado Aerogru fará a obra. Ele reúne empresas como Aeron, HTB, FBS e Tsinfra.

O evento de assinatura do termo tinha a previsão de participação do presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), e era interpretado como um gesto de provocação ao seu inimigo político João Doria (PSDB).

Após os atos de Sete de Setembro e os discursos de teor golpista, que causaram desconforto até em aliados, a participação do presidente foi cancelada. O ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, também não estava no evento.

Logo depois de tomar posse no Palácio dos Bandeirantes, o governador João Doria (PSDB) criticou o fato de o trem não chegar aos terminais.

"Não faz sentido transporte público que não leva até o aeroporto. É tão bizarro que é difícil acreditar que isso tenha sido feito no estado de São Paulo", disse, em janeiro de 2019, com a promessa de buscar uma alternativa junto à concessionária GRU Airport e ao governo federal.

Caso a obra atrase, Doria, que pretende se lançar à Presidência da República em 2022, pode deixar o governo estadual sem o problema ser resolvido.

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