Em fala sobre 2ª Guerra ao Conselho de Segurança da ONU, Ernesto ataca multilateralismo

DIANA LOTT
***FOTO DE ARQUIVO*** SÃO PAULO, SP, BRASIL, 12-10-2019: Segundo dia da Conferência conservadora Cpac. Na foto, o Ministro Ernesto Araújo. (Foto: Bruno Santos/ Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, criticou o multilateralismo e defendeu o "sentimento nacional" durante uma sessão informal do Conselho de Segurança da ONU para marcar os 75 anos do fim da Segunda Guerra Mundial realizada nesta sexta-feira (8).

"Penso que devemos evitar a palavra multilateralismo para falar sobre instituições internacionais e multilaterais. [...] Palavras que terminam em 'ismo' normalmente designam ideologias, como fascismo, nazismo, comunismo. Vamos não fazer do multilateralismo outra ideologia", disse ele no encontro, que foi realizado por vídeoconferência.

O ministro afirmou ainda que o oposto de todas as ideologias não é outra ideologia. "O oposto de todas as ideologias é a liberdade. Observem que não dizemos 'liberdadismo', dizemos liberdade."

"Nos nos deixemos cair no erro de atacar aqueles que defendem a soberania, nem desprezar aqueles que defendem o sentimento nacional", disse. A fala de Ernesto seguiu um tom parecido ao de outros pronunciamentos do chanceler, que costuma criticar instituições internacionais e promover valores como soberania e nacionalismo.

Assim como os diplomatas e líderes que participaram da sessão, o ministro descreveu a pandemia da Covid-19 como a maior crise enfrentada pela comunidade internacional desde a Segunda Guerra.

Sem citar nominalmente o comunismo, Ernesto alertou que a ideologia totalitária surgida após o conflito não morreu. Para ele, a doutrina tentou sequestrar e perverter causas como direitos humanos, Justiça e o ambientalismo, além de tentar "manipular a ONU a seu favor".

Ernesto afirmou ainda que, no contexto da crise do coronavírus, as Nações Unidas deveriam ser um espaço de coordenação entre os países, e não um instrumento para substituir os Estados.

"Se a ONU ignorar os desafios reais de hoje e, em vez disso, optar por bobagens politicamente corretas, seu papel será reduzido. [...] As nações não são o problema, elas são os bons moços neste cenário ", disse.

Brasil na Segunda Guerra O ministro relembrou em sua fala a participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial - o país enviou cerca de 25 mil militares para combater ao lado dos Aliados.

"O Brasil desempenhou um papel importante no esforço de guerra [...]. Nós ajudamos a libertar a Itália, e, logo, a Europa da tirania fascista, o que é talvez o maior prêmio do país", disse.