Em fevereiro (não) tem carnaval: compare pontos desertos de tradicionais blocos do Rio com as multidões de 2020

Luã Marinatto
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Sábado de carnaval, 2020. Por diversos pontos do Rio, espalhados por inúmeros blocos oficiais e não oficiais, mais de 1 milhão de pessoas vão às ruas para aproveitar a folia, numa festa regada a fantasias, glitter, música e, claro, muita alegria. Corta para 2021, meses após a pandemia da Covid-19 virar o mundo de ponta-cabeça. Em vez das tradicionais multidões, as ruas do Rio que receberiam os principais blocos deste sábado estavam - ainda bem - desertas.

O maior exemplo do contraste talvez venha do coração da cidade, no Centro, onde o Cordão do Bolão Preta arrastava milhares de foliões há mais de um século. Houve edições que bateram, sozinhas, um público superior a 2 milhões, embora "apenas" 630 mil pessoas tenham comparecido à Avenida Presidente Antônio Carlos no ano passado. O mesmo exato ponto em que não sobrava espaço para quase nada em 2020 estava, neste sábado, completamente vazio.

A ronda da equipe de reportagem também visitou a Zona Sul. Na Rua Gomes Carneiro, por onde passaria outro tradicionalíssimo cortejo, o da Banda de Ipanema, havia somente carros estacionados. No ano passado, nem mesmo a forte chuva reduziu a empolgação da multidão de 55 mil pessoas. Já no Aterro do Flamengo, onde o Amigos da Onça daria o tom da festa no sábado de carnaval, só se via a areia clara da praia e o Pão de Açúcar ao fundo.

Em Santa Teresa, onde as vielas e ladeiras seriam tomadas pelo Céu na Terra, coube a uma figura solitária, conhecida no bairro, dar uma pincelada carnavalesca na data. Do alto de duas pernas de pau, o historiador Anilson Costa, de 42 anos, saiu vestido a caráter exibindo uma mensagem pra lá de necessária no tempo em que vivemos: "Use máscara. Lave as mãos. Compartilhe amor."

- Moro na Escadaria Selarón, que dá acesso ao bairro. No dia em que aconteceria a abertura oficial do carnaval, no primeiro domingo de janeiro, eu subi para Santa Terese e vi o bairro todo deserto. Aí, pensei numa maneira de usar a minha arte e a minha experiência para levar um pouco de alegria, afeto e colorido para as ruas do bairro. Vesti a fantasia, peguei as pernas de pau, coloquei máscara, arrumei uma caixinha de som... E fui-me embora. Desde então, venho repetindo esse gesto, mas com total segurança e sem causar nenhuma aglomeração - conta o historiador Anilson Costa, de 42 anos.

Melhor assim, Anilson!