Italo Ferreira bate Medina e é campeão mundial de surfe

Renato de Alexandrino
Italo comemora após vencer bateria no Havaí (Ed Sloane/WSL via Getty Images)

O título mundial de surfe deste ano é de Italo Ferreira. Em uma final brasileira, o potiguar de 25 anos derrotou Gabriel Medina na etapa decisiva da temporada, em Pipeline, no Havaí.

Após sete dias de adiamentos, a etapa recomeçou na tarde desta quinta-feira. Líder do ranking, Italo venceu a primeira das oitavas de final, acabando com as chances do americano Kolohe Andino de levantar o troféu. Italo superou o compatriota Peterson Crisanto por 11,84 a 4,23 pontos.

- Tem muita pressão, mas quero apenas sentir o momento e aproveitar. Eu estava calmo na água, tentando pegar as melhores ondas - disse Italo.

Nas quartas, Italo manteve seu bom momento e aumentou a pressão sobre Medina ao derrotar outro brasileiro, Yago Dora, com autoridade: 15,66 a 13,50 pontos. Na semifinal, ele não deu chances ao americano Kelly Slater, 11 vezes campeão mundial, vencendo por 14,77 a 2,57.

Gabriel Medina derrotou Caio Ibelli nas oitavas em uma bateria com polêmica e emoção no fim. O bicampeão mundial vencia, mas Caio tinha a prioridade e precisava uma nota 5,67  a poucos segundos do fim. Caio remou em uma onda e Medina entrou também, sendo penalizado com uma interferência, perdendo uma de suas notas. Como Caio tinha pontuação muito baixa, mesmo assim Medina venceu - uma manobra estratégica, que eliminou a possibilidade de Caio pontuar na reta final do confronto.

- Joguei o jogo. Eu sabia que mesmo com a interferência teria a maior nota da bateria. Tive que jogar o jogo. Se está na regra, às vezes você tem q fazer isso. Eu sabia o que estava fazendo - explicou Medina.

Derrotado, Caio não ficou feliz com o que aconteceu.

- Consegui ouvir o padrasto dele (Charles Medina, que é tecnico de Gabriel), da areia, gritando para ele entrar na minha onda. Seria minha melhor nota. Acho que nunca vi isso. É a mentalidade de um campeão. Mostra que tipo de competidor ele é. Joga sujo se precisa, faz de tudo para vencer - desabafou o paulista.

- Ele pediu desculpas dentro da água. Vou treinar e estudar melhor, e vou vencê-lo na próxima vez. Isso só me faz ter mais vontade de vencer.

O livro de regras da World Surf League prevê que uma bateria pode ser disputada novamente em caso de "séria interferência antidesportiva", mas a WSL confirmou que a vitória de Gabriel Medina foi oficializada.

O duelo entre Medina e Caio já veio com um histórico da etapa anterior, em Portugal. Lá, também nas oitavas, Medina também entrou em uma onda do adversário, mas acreditando que tinha a prioridade. Os juízes, porém, haviam dado a prioridade para Caio, que tinha o direito de ir na onda. Medina foi penalizado e perdeu aquela bateria.

Nas quartas de final, Medina não precisou de nenhum artifício estratégico. Ele derrotou o havaiano John John Florence, bicampeão mundial e um dos grandes nomes em Pipeline, com autoridade, conseguindo notas 9,23 e 8,40 - somou 17,63 a 12,33 pontos. Na semifinal, Medina superou o americano Griffin Colapinto por 13,00 a 7,10.

FINAL:

Italo Ferreira (BRA) 15,56 x 12,94 Gabriel Medina (BRA)

BATERIAS DAS SEMIFINAIS:

Italo Ferreira (BRA) 14,77 x 2,57 Kelly Slater (EUA)
Gabriel Medina (BRA) 13,00 x 7,10 Griffin Colapinto (EUA)

BATERIAS DAS QUARTAS DE FINAL:

1 - Italo Ferreira (BRA) 15,66 x 13,50 Yago Dora (BRA)
2 - Jack Freestone (AUS) 9,26 x 12,94 Kelly Slater (EUA)
3 - Gabriel Medina (BRA) 17,63 x 12,33 John John Florence (HAV)
4 - Griffin Colapinto (EUA) 9,84 x 8,77 Michel Bourez (FRA)

BATERIAS DAS OITAVAS DE FINAL:

1 - Italo Ferreira (BRA) 11,84 x 4,23 Peterson Crisanto (BRA)
2 - Yago Dora (BRA) 7,50 x 6,27 Julian Wilson (AUS)
3 - Ricardo Christie (NZL) 4,23 x 5,00 Jack Freestone (AUS)
4 - Seth Moniz (HAV) 6,20 x 7,33 Kelly Slater (EUA)
5 - Gabriel Medina (BRA) 4,23 x 1,13 Caio Ibelli (BRA)
6 - John John Florence (HAV) 5,66 x 3,90 Soli Bailey (AUS)
7 - Jesse Mendes (BRA) 8,50 x 10,67 Griffin Colapinto (EUA)
8 - Michel Bourez (FRA) 13,43 x 9,50 Kolohe Andino (EUA)