Em formatura com Bolsonaro, PMs resgatam lema de campanha eleitoral do presidente

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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O lema da campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) foi usado por dois altos oficias da Polícia Militar do Distrito Federal durante cerimônia de formatura do curso de aperfeiçoamento da corporação.

O ato foi acompanhado por Bolsonaro e ocorreu na Academia de Polícia Militar de Brasília nesta quarta-feira (2). Durante o evento, o coronel William Delano Marques de Araújo, comandante da academia, encerrou seu discurso com a frase "Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

O mesmo foi feito pelo coronel Márcio Cavalcante de Vasconcelos, comandante-geral da PM do Distrito Federal. Ao concluir sua fala, ele disse: "Deus os abençoe, muita sorte, sucesso. Brasil acima de tudo, Deus acima de todos".

Presente no local, Bolsonaro não discursou.

Além de ter sido amplamente usado por Bolsonaro na eleição de 2018 e ainda ser mencionado pelo presidente, o bordão deu nome à coligação eleitoral do mandatário.

Trata-se de uma apropriação de brado da Brigada de Infantaria Paraquedista do Exército.

O lema surgiu, segundo artigo do coronel Cláudio Tavares Casali, ainda na década de 1960, durante a ditadura militar (1964-1985). Nesse contexto, um grupo de paraquedistas nacionalistas teria criado o grito "Brasil acima de tudo".

Na formatura dos PMs nesta quarta, o capelão da corporação, segundo-tenente Gerson dos Santos e Santos, disse que a polícia "ora sempre pelo governo" de Bolsonaro.

"Dizer que através das nossas capelanias a PM ora sempre pelo senhor, pelo seu governo. Sempre, em todas as nossas celebrações o seu nome lá está, também o seu governo", afirmou Santos.

As falas dos policiais ocorrem em meio a um debate sobre o risco da politização das forças de segurança e do próprio Exército.

Neste fim de semana, durante manifestações contra o governo, episódios em que policiais militares em Pernambuco e em Goiás abusaram de suas funções reforçaram as preocupações de políticos e especialistas.

Além do mais, o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello, que é general da ativa, participou recentemente de ato político ao lado do presidente Bolsonaro no Rio de Janeiro.

O ex-ministro está respondendo a um processo disciplinar no Exército, uma vez que o regulamento militar não permite manifestações políticas de integrantes da ativa. Mas Bolsonaro já deixou claro que não quer ver punido seu auxiliar --recém-nomeado para um cargo vinculado à Presidência da República.

Procurada, a Polícia Militar do Distrito Federal não respondeu a questionamentos enviados pela reportagem até a publicação deste texto.

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