Em frente ao condomínio de Bolsonaro, eleitores do presidente rezam e choram após resultado

A desolação e a incredulidade, pontuada por orações e demonstrações de fé tomaram conta dos apoiadores do presidente Jair Bolsonaro com o anúncio do resultado final do segundo turno das eleições. Concentrados em frente à residência de Bolsonaro no Rio, no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, muitos caíram em prantos e alguns lançaram dúvidas sobre a lisura das urnas, indispostos a aceitarem o resultado.

Desde quando Lula assumiu a primeira posição na contagem dos votos, pouco antes das 19h, eles entraram numa corrente de oração pela vitória de Bolsonaro, acreditando na virada. Muitos ajoelharam em prece e outros gritavam “vai dar certo!”. Acreditando ainda na vitória, uma pastora subiu ao carro de som antes do resultado e disse:

— Se Deus abriu o Mar Vermelho, ele pode conceder essa vitória.

Houve também quem ameaçasse "ir a Brasília acabar com o STF e com o ministro Alexandre de Moraes”. No carro de som, antes de rezarem uma Pai Nosso e uma Ave Maria, iniciaram discursos contra o feminismo, o comunismo e o que chamam de “ideologia de gênero”. O questionamento do resultado foi recorrente.

— A gente não acredita nesse resultado, porque vemos muito apoio a Bolsonaro nas ruas. Foi fraude — afirmou a esteticista Fernanda Lopes, de 33 anos, sem provas.

Território da boemia na Barra e frequentado por apoiadores de Bolsonaro, a Olegário Maciel tem um movimento tímido após o resultado das eleições. Alguns eleitores de Lula, no entanto, comemoram a vitória do petista por ali. A estudante de medicina veterinária Kariny Gaiothe, de 30 anos, disse que suspirou de alívio com o resultado:

— O grito estava entalado. Consegui soltar o grito, mas ainda não vi aqui na região essa alegria da vitória. Espero que as coisas venham a melhorar, renovei a esperança. Espero primeiramente a diminuição da intolerância em todos os aspectos, como racial e regional. E espero que o pobre consiga ser um pouco mais feliz. Sou estudante de universidade pública, entrei na época do Lula e torço para que o cenário do ensino público melhore também.

Já a bióloga Beatriz Costa, de 46 anos, celebra com cautela, devido “ao avanço da extrema direita no Congresso Nacional”, explica:

— Nem esperança é, porque o Congresso e os governadores eleitos são de extrema direita. Não são nem direita, são uma ceita. Então, se o Congresso está dominado, o Lula está engessado, estamos numa situação difícil do mesmo jeito. Mas a eleição dele é só um motivo para dar um sorrisinho.