Em gesto de boicote, senadores da CPI da Covid abandonam depoimento de defensores de tratamento ineficaz

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BRASÍLIA, DF, 18.06.2021 – CPI-COVID: Os médicos Ricardo Ariel Zimermman e Francisco Eduardo Cardoso durante depoimento para CPI da Covid, que apura possíveis irregularidades do governo federal e Ministério da Saúde, nas ações de combate ao novo coronavírus. A Comissão Parlamentar de Inquérito ocorre no Senado Federal, em Brasília, nesta sexta. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
BRASÍLIA, DF, 18.06.2021 – CPI-COVID: Os médicos Ricardo Ariel Zimermman e Francisco Eduardo Cardoso durante depoimento para CPI da Covid, que apura possíveis irregularidades do governo federal e Ministério da Saúde, nas ações de combate ao novo coronavírus. A Comissão Parlamentar de Inquérito ocorre no Senado Federal, em Brasília, nesta sexta. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A maioria dos senadores membros da CPI da Covid não compareceu ou mesmo abandonou a sessão desta sexta-feira (18) da comissão, que ouve dois médicos defensores do tratamento precoce para a Covid-19, com medicamentos sem eficácia científica comprovada para a doença.

A sessão já havia começado com poucos senadores, muito diferente de todas as oitivas anteriores. O relator da comissão, senador Renan Calheiros (MDB-AL), afirmou que declinaria seu direito de fazer perguntas aos convidados e se retirou da sessão.

Também saíram do plenário o vice-presidente, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e outros senadores oposicionistas, como Humberto Costa (PT-PE). Entre titulares e suplentes, a CPI tem 18 membros.

Permaneceram apenas o presidente Omar Aziz (PSD-AM), que disse que garantiria que os convidados fossem ouvidos, e uns poucos senadores governistas, como Jorginho Melo (PL-SC), Marcos Rogério (DEM-RO), Eduardo Girão (Podemos-CE) e Luis Carlos Heinze (PP-RS).

Participam da sessão como convidados os médicos Ricardo Ariel Zimerman e Francisco Cardoso Alves.

Em sua fala inicial, o relator criticou a fala negacionista do presidente Jair Bolsonaro, que em transmissão ao vivo na quinta-feira (17) afirmou que a contaminação é mais eficaz do que a vacina contra Covid. A fala vai na direção das suspeitas da CPI, de que o governo adotou a tese da imunidade de rebanho.

"Eu sinceramente, em função desse escárnio, desse descaso, eu me recuso, mesmo como relator dessa comissão parlamentar de inquérito, a fazer qualquer pergunta aos expoentes, aos depoentes, com todo o respeito que eles tenham. Mas eu me recuso. Não dá para continuarmos nessa situação", afirmou.

"A CPI tem o papel de dissuadir práticas criminosas, como essa do presidente da República. E ele continua a fazê-lo em desrespeito a uma instituição da República, que é a comissão parlamentar de inquérito, com poderes constitucionais, judiciais criada para investigar uma coisa cujos órgãos convencionais não estavam investigando. Isso não pode continuar", continuou Renan.

O relator ainda afirmou que o Brasil deve atingir a marca demeio milhão de mortes por covid e que ainda se ouve "esse tipo de irresponsabilidade impunemente".

"Chega. Nós precisamos dar um basta nisso tudo", completou, para em seguida deixar a sessão.

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