Em imagens, mulheres belarussas rodam o mundo

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BRUXELAS, BÉLGICA (FOLHAPRESS)- Com foco na participação feminina contra a ditadura na Belarus, uma exposição fotográfica que já passou por 13 países está sendo organizada também no Brasil --a previsão é que seja inaugurada em setembro, em Brasília.

As mulheres ganharam projeção na reação contra a ditadura na primeira semana após a divulgação, em 9 de agosto de 2020, de um resultado eleitoral considerado inaceitável por críticos do ditador Aleksandr Lukachenko. Milhares saíram às ruas e os primeiros dias foram violentos, com mais de 7.000 detidos, 3 mortos e ao menos 450 casos documentados de tortura.

Foi pela paz, porém, que elas mantiveram as pessoas mobilizadas. No quarto dia após a eleição, moças vestidas de branco e levando flores nas mãos formaram uma corrente em calçadas do centro da capital, Minsk, pedindo o fim da violência. A imagem circulou, a ideia pegou e muitas passaram a ir às ruas todos os dias, em toda a cidade.

No começo, o regime ficou atônito --Lukachenko sempre afirmou que mulheres não servem para a política, e foi só por isso que permitiu que a líder da oposição Svetlana Tikhanovskaia assumisse a candidatura a presidente em lugar de seu marido, Serguei Tikhanovski.

Popular blogueiro que chamava o ditador de barata, um apelido que pegou, Tikhanovski foi preso há um ano, em 29 de maio de 2020, uma detenção que despertou parte da população cansada de ver Lukachenko se perpetuar no poder desde que venceu a única eleição justa do país, a primeira delas, em 1994.

Assim como o ditador, as tropas de choque foram pegas de surpresa. Mas em setembro a aparente trégua cedeu a prisões em massa indiscriminadas --de mulheres, idosos, deficientes e qualquer um que manifestasse oposição ao regime. O simples ato de levar uma fita branca no pulso pode ser punido com detenção e multa.

Neste sábado (29), foram marcados protestos pelos 365 dias da prisão de Tikhanovski --que ainda não foi julgado-- em dezenas de cidades na Europa e nos EUA, no que foi chamado de Dia de Solidariedade Global com a Belarus.

No Brasil, onde mulheres também estão à frente da divulgação dos que se opõem à ditadura, não há marchas. Mas Volha Iermalaieva Franco, que representa no país a equipe de Svetlana Tikhanovskaia, lançou uma campanha para que brasileiros apoiem a volta da democracia na Belarus: "As pessoas podem escrever nas redes sociais e usar tags como #StandWithBelarus, ou marcar a Embaixada Popular de Belarus no Brasil (Twitter: @BelarusInBrasil).

Volha também promove ações online, como a que intermedeia cartas para os presos políticos e as que fazem arrecadações para as famílias das pessoas detidas.

Além da exposição de fotos, que se chama "Belarus: A Democracia Tem Rosto de Mulher", o grupo pretende mostrar dois documentários e uma instalação interativa, sob curadoria do italiano Luca Bonacini e organização de Anastasiya Golets e Olga Aleszko-Lessels. O desvio do avião em que viajava o blogueiro Roman Protassevich acabou jogando uma sombra sobre o evento.

A exposição mostra os trabalhos de quatro fotógrafos belorussos, três dos quais ainda estão na Belarus. A manobra de Lukachenko para prender um rival que estava fora do país fez com que os organizadores pedissem sigilo sobre o nome dos profissionais, inclusive do que já saiu do país. "Ninguém está mais a salvo, nem mesmo no exterior", afirmou uma delas.

A reação mostra, numa escala menor, a preocupação em larga escala de líderes dos principais países do mundo. Na semana passada, Reino Unido e União Europeia proibiram companhias aéreas de sobrevoar a Belarus e fecharam seus aeroportos a companhias belarussas. Também vão ampliar sanções a empresas e pessoas ligadas à ditadura.

Nesta sexta, o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, também anunciou a proibição de voos e sanções contra o regime da Belarus.