Em indireta a Dilma, Temer diz que imaginam o Brasil como um 'paiseco'

2 - Sob críticas de Cunha, Temer deseja 'a maior felicidade' a ex-aliado

GUSTAVO URIBE

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Em um contraponto à sua antecessora no Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer criticou nesta quinta-feira (20) o que chamou de uma tentativa de vender a imagem de que o Brasil é um "paiseco" e que não respeita a Constituição Federal.

Num giro nos Estados Unidos, no qual tem feito palestras em instituições e universidades americanas, a ex-presidente Dilma Rousseff tem criticado o processo de impeachment que a retirou do cargo e reforçado que se trata de um "golpe".

Segundo o presidente, que não citou a petista, estão sendo distribuídos no exterior dados, fatos e informação que não coincidem com a realidade e que o papel da política externa brasileira neste momento deve ser o de recuperar a imagem do país.

"Muitas e muitas vezes, são levados ao exterior dados, fatos e informações que não coincidem com aquilo que está na Constituição Federal. E as pessoas lá fora imaginam que este país é 'um paiseco' e que vai fazendo as coisas sem amparo legal, sem amparo na Constituição Federal", disse.

Temer fez a crítica durante cerimônia de formatura de diplomatas, realizada no Dia do Diplomata, no Palácio do Itamaraty.

O presidente disse ainda que há pessoas que acham que a "raivosidade" deve nortear as relações pessoais no mundo. "É o argumento mais físico do que intelectual. Os senhores estão preparadíssimos, e certa e seguramente, levarão argumentos de natureza intelectual", disse aos formandos.

Em entrevista ao jornal americano "The Washington Post", publicada nesta quinta-feira (20), a petista atrelou sua deposição ao futuro da democracia do Brasil e ressaltou a necessidade de realizar novas eleições para substituir o governo peemedebista.

Em discurso no mesmo evento, o ministro de Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, disse que o governo peemedebista "recolocou o Palácio do Itamaraty" no centro da política externa brasileira.

Segundo ele, em um momento de crise econômica, o foco da política externa deve ser na recuperação do potencial produtivo e na ampliação dos negócios com parceiros comerciais.

"O mandamento é buscar integração econômica, política e social com os povos da América Latina", defendeu.

No início do seu discurso, o ministro afirmou que a presença do presidente no Palácio do Itamaraty no Dia do Diplomata ocorre "depois de um hiato de cinco anos", o que mostra que o país está retornando "à normalidade".