Em individual no MAM, a goiana Sallisa Rosa busca na terra a força da ancestralidade indígena

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Inaugurada no MAM no sábado (13), "América" é a primeira individual da goiana Sallisa Rosa no Rio, cidade onde atualmente reside. Após participar de coletivas como “Histórias feministas", no Masp; "VaiVem", no CCBB do Rio; e “Estratégias do feminino”, no Farol Santander, em Porto Alegre, todas em 2019, Sallisa é a segunda artista convidada do programa Supernova, inaugurado no MAM por Ana Clara Tito, em outubro.

O nome da mostra, que tem curadoria de Beatriz Lemos, Keyna Eleison e Pablo Lafuente, da equipe do MAM, se relaciona ao nome da avó de Sallisa, batizada como América ao nascer em 12 de outubro, dia que o italiano Cristóvão Colombo desembarcou no continente, em 1492. Uma das obras centrais da mostra é "Urna da memória" (2021), feita em cerâmica, que faz referência à avó e a sua ancestralidade indígena. Em torno da instalação, a artista dispõe 35 potes da série "Abya Yala", expressão que na língua do povo Guna, originário do Panamá e da Colômbia, é sinônimo de América.

— A terra é um pó mágico que protege as recordações em monumentos, e que guarda os vestígios e fragmentos que estão enterrados no subsolo. A terra é onde se firma o pé pra erguer o corpo. É debaixo dos nossos pés que acontecem as transformações das memórias em riquezas, extrair riquezas da terra nada mais é do que remover memórias — compara Sallisa. — Para honrar a minha herança eu celebro a memória, e celebro com o corpo. Enquanto eu modelo o barro é o barro que me modela por dentro, num movimento de cultivo das raízes internas. Senti a necessidade de enraizar, aprendi a enraizar nas pessoas, porque corpo é território.

Para a curadora Beatriz Lemos, na exposição Sallisa aproxima as duas Américas: o continente invadido e a avó, com o mesmo nome.

— Ambas, acometidas pela doença do esquecimento, nos fazem pensar sobre o resgate da memória e a recusa à narrativa colonial. Sallisa, neta de América, nos redobra a atenção para o que é possível, ainda agora, moldar com as próprias mãos — destaca Beatriz. — Esta é uma exposição erguida para lembrarmos o que foi esquecido. Para chegar até o que forçosamente nos fizeram esquecer.

Onde: MAM Rio. Av. Infante Dom Henrique 85, Aterro do Flamengo (3883-5600). Quando: Qui e sex, das 13h às 18h. Sáb, dom e feriados, das 10h às 18h. Até 13 de março de 2022. Quanto: R$ 20. Classificação: Livre.

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