Em Israel, Biden trata Líbano e Síria como inexistentes

  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.
Neste artigo:
  • Opa!
    Algo deu errado.
    Tente novamente mais tarde.

A viagem de Joe Biden ao Oriente Médio deixa claro que Israel perdeu totalmente o interesse em acordos de paz contra seus destruídos vizinhos no Levante, enquanto consolida a aproximação diplomática com as ditaduras do Golfo Pérsico.

Contexto: Em 'estreia' no Oriente Médio, Biden encontrará antigos desafetos e novos problemas

E ainda: Ao deixar de tratar Arábia Saudita como pária, Biden almeja mudar mercado do petróleo

Os nomes Líbano e Síria basicamente não foram mencionados no encontro do presidente americano com o premier israelense Yair Lapid. Biden não reverterá a decisão de Donald Trump de reconhecer a anexação ilegal por Israel das Colinas do Golã, um território sírio ocupado na Guerra dos Seis Dias em 1967 e anexado em ação não reconhecida pela comunidade internacional anos depois.

Em maio: Israel aprova construção de mais de 4 mil novas casas em assentamentos na Cisjordânia ocupada, diz ONG

Nenhum presidente americano reconhecia oficialmente a anexação até Trump. Biden, ao assumir, decidiu seguir a mesma linha do antecessor republicano. Obviamente, nenhum falava para Israel devolver o território. A resolução do conflito deveria ser mediante negociações envolvendo líderes de Israel e Síria. Inclusive, houve diálogo tanto nos anos 1990, quando Hafez al-Assad estava no poder em Damasco, e posteriormente, em 2008, já com Bashar al Assad. O próprio ditador sírio me disse em entrevista que estiveram próximos de um acordo.

O Golã era, até 2011, a mais segura fronteira israelense. Há quatro décadas havia relativa calma na área, que contava com a presença da UNDOF (forças de paz da ONU). A questão hídrica talvez até fosse mais importante naquele momento do que a de segurança. Israel construiu ranchos, vinícolas e estações de esqui no território sírio.

Com a Guerra da Síria, qualquer possibilidade de Israel devolver o território no médio prazo acabou. Há um temor de Israel com a presença de forças iranianas e do Hezbollah na Síria, que ameaçam o território israelense.

Em relação ao Líbano, os EUA são completamente ausentes. O conflito se dá acima de tudo pela presença no território libanês de centenas de milhares de refugiados palestinos com origem em cidades no que hoje é Israel; as armas do Hezbollah apontadas para o território israelense; a ocupação da Fazenda de Shebaa; e um sentimento libanês de revolta com os bombardeios israelenses no passado. Há disputas marítimas, mas essas são mediadas pela França.

Crises internas: Biden tenta dar a volta por cima na economia, que ameaça democratas na eleição de novembro

Hoje Israel se aproxima de nações tradicionalmente radicais islâmicas, como a Arábia Saudita e os Emirados. Infelizmente, não apenas por culpa dos israelenses, mas também de sírios e libaneses, segue distante e inimigo dos multireligiosos Líbano e Síria. Jerusalém sempre terá a mais ver com Damasco do que com Riad. E Tel Aviv sempre será mais parecida em todos os sentidos com Beirute do que com Dubai. Israel só terá paz quando tiver acordos com o Líbano, Síria e Palestina, com o Levante. A aproximação com o Golfo é positiva, mas não acaba com conflito nenhum.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos