Em jantar reservado, Fux e Cármen Lúcia são aconselhados por senadores a buscar militares

***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP , 28.01.2022 - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP , 28.01.2022 - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia. (Foto: Marlene Bergamo/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia ofereceu um jantar reservado para sete senadores em sua casa, em Brasília, nesta semana.

O presidente da Corte, Luiz Fux, também foi convidado pela colega para comparecer à reunião.

Todos firmaram o compromisso de que a conversa seria mantida em sigilo.

No encontro, os dois magistrados ouviram o conselho do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) para que buscassem representantes dos militares para um diálogo sobre a democracia no Brasil.

O parlamentar afirmou ainda que, se fosse Fux, manteria contato direto, e periódico, com as Forças Armadas.

Os outros sete senadores que estavam presentes —Eduardo Braga (MDB-AM), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), Kátia Abreu (Progressistas-GO), Marcelo Castro (MDB-PI), Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Renan Calheiros (MDB-AL)— concordaram com a ideia.

Há entre eles, e também no STF, o temor de que Jair Bolsonaro (PL) não reconheça o resultado das eleições presidenciais de outubro caso seja derrotado. Os sinais são considerados evidentes, já que ele faz seguidos ataques ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e coloca em dúvida as urnas eletrônicas.

A crença geral é de que as Forças Armadas não embarcariam na aventura de um golpe militar.

Bolsonaro poderia, no entanto, promover "arruaças" no país, sob vistas grossas das polícias militares —o que poderia ser evitado com uma posição firme do Exército em defesa da democracia.

Fux perguntou aos senadores se algum deles conversava com Bolsonaro, e se de fato acreditava que o presidente será capaz de tentar um golpe.

Os parlamentares pediram o depoimento do senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), que já foi líder do governo no Senado.

Ele teria afirmado, segundo um dos presentes, que ninguém deveria subestimar a capacidade de Bolsonaro de criar instabilidade no país.

​Depois que Bolsonaro concedeu indulto para o deputado Daniel Silveira (PTB-RJ), condenado a 8 anos e 9 meses de prisão por ameaças ao Supremo, os senadores decidiram criar um grupo em defesa da democracia para manifestar apoio à Corte.

Antes de se encontrar com Cármen e Fux, eles já tinham se reunido com os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Dias Toffoli em diferentes ocasiões.

Além de manifestar apoio ao tribunal, os parlamentares pretendem fazer uma rodada de diálogos com diversos setores sobre como conter Bolsonaro caso ele tente um golpe que, mesmo fracassado, poderia levar o país ao quebra-quebra e ao caos.

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