Em Lisboa, brasileiros começam a sentir os efeitos econômicos do coronavírus

Gian Amato, especial para O GLOBO
O entregador Marcelo Pereira, cuja demanda de trabalho reduziu muito em Lisboa

LISBOA — O telefone celular de Marcelo Pereira já não exibe tantas notificações de trabalho. Antes da pandemia de coronavírus, que obrigou Portugal a declarar estado de alerta, o aparelho tocava sem parar.

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Motoboy em Lisboa, o carioca viu seu faturamento diário minguar tanto quanto as chamadas dos aplicativos de entrega de comida para os quais trabalha na capital agora deserta.

— Todo dia parece feriado de Dia de Finados. Tudo fechado — disse Pereira, emigrante em Lisboa há um ano e dois meses.

Portugal tem 448 casos confirmados e registrou uma morte devido ao covid-19, segundo o último boletim oficial.

Não somente os motoboys e motoristas, mas os brasileiros em geral com negócios independentes em Portugal, como donos de bares e restaurantes, produtores culturais, DJs e músicos, começam a sentir os efeitos econômicos do fechamento de discotecas e bares às 21h, funcionamento limitado de shoppings e restaurantes e proibição do consumo de bebidas alcoólicas na rua.

Outro carioca que é motoboy, mas no Porto, Jhon Victor Batalha conta que seus pedidos diários caíram de 22 para cinco. E, quando é acionado, enfrenta momentos delicados devido ao medo de contágio.

— As pessoas têm medo de um possível contágio e nem abrem a porta. Pedem para deixar do lado de fora e avisar quando eu for embora. Outros, nem deixaram eu subir, pediram para deixar na portaria do prédio. Os pedidos na Uber Eats caíram porque todos cozinham em casa estes dias — afirmou Batalha, que vive em Portugal há 18 meses e também é inscrito na Takeaway.com.

Brasil é a maior comunidade estrangeira no país

Com 105.423 brasileiros morando lá, o Brasil é a maior comunidade estrangeira em Portugal, e a queda no número de pedidos de entrega poderá deixar centenas de brasileiros emigrantes sem renda.

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