Em live, Bolsonaro responde críticas de apoiadores e culpa pessoas por inflação alta

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Bolsonaro durante as manifestações de 7 de setembro (Foto: AFP / Miguel SCHINCARIOL)
Bolsonaro durante as manifestações de 7 de setembro (Foto: AFP / Miguel SCHINCARIOL)

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) se dirigiu aos apoiadores nesta quinta-feira (9), em sua live semanal, e afirmou que o movimento do 7 de setembro renderá "frutos". Mesmo assim, ele reconheceu ter sido criticado por alguns apoiadores que esperavam uma "reação imediata" em relação ao conflito com ministros do Supremo Tribunal Federal.

Bolsonaro também admitiu que a carta divulgada hoje, em que disse respeitar as instituições, foi escrita junto com o ex-presidente Michel Temer. Ele defendeu o conteúdo da nota – vista como um recuo do presidente após ele ter dito, na terça-feira, que poderia desobedecer ordens judiciais.

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Em outro momento, ele citou a inflação e disse que ela "ocorre no mundo todo", afirmando que as pessoas também são responsáveis pelo aumento dos preços.

Sem "eu autorizo"

O presidente começou a live parabenizando os manifestantes do 7 de setembro, que ele classificou de ato "pacífico".

Apesar de algumas faixas pedirem o fechamento do Supremo Tribunal Federal e de manifestantes ameaçando invadir o STF e o Congresso – incluindo alguns apoiadores que tentaram invadir o Ministério da Saúde -, Bolsonaro afirmou não ter recebido "nenhuma informação de uma só pessoa que tivesse sido detida e levada à delegacia para justificar um ato violento, uma depredação a prédio, uma agressão a policial".

"Nada disso aconteceu. Foi uma manifestação pacífica como todas as anteriores feitas por esse mesmo grupo de pessoas", disse o presidente, que se esquivou de falar também das faixas que pediam abertamente uma intervenção militar. "Se alguém levantou uma faixa mostrando o artigo 142, parabéns. Não faz parte da Constituição?", questionou, em relação ao artigo usado por bolsonaristas que, na interpretação deles, permitiria uma intervenção militar por parte das Forças Armadas.

Mesmo assim, Bolsonaro reconheceu que muitos apoiadores esperavam outro tipo de reação. "Eu sempre disse que iria jogar dentro das quatro linhas da Constituição. Alguns se irritam, querem que eu saia por aí escalpelando os outros, fechando instituições, prendendo, atirando. Eu até reconheço que você está chateado com muitas coisas que acontecem no Brasil", disse Bolsonaro.

Mais tarde, ele voltou ao tema, disse que a "fotografia do movimento" renderá frutos e pediu calma aos apoiadores, citando inclusive o "eu autorizo" – frase dita por bolsonaristas em alusão a um possível ato do presidente que passaria por cima de outros Poderes. "Muitos que participam [da manifestação] querem uma reação imediata, em especial do presidente, 'eu autorizo'. Eu não vou sair das quatro linhas. O que eu disse foi que [com os atos] nós vamos dizer para alguns que você tem que jogar dentro das quatro linhas também, senão vai dar ruim, vai dar problema."

Depois, citou a carta de hoje e ensaiou ler o conteúdo na íntegra. Ele recuou e leu apenas o último item, em que agradece os apoiadores.

"Fiz uma nota hoje à tarde, sei que muita gente criticou, disse tinha que fazer isso e aquilo. Pessoal, sou chefe da nação, estou com vocês, estou com o povo onde o povo estiver", afirmou. "Ficar do lado povo não é fácil, tem cobranças justas e outras não. Os caras querem que eu tome medidas de imediato. Deem um tempo, dois, três dias para a gente."

Depois, ele citou o efeito econômico decorrido da carta, com a subida da Bolsa e a queda do dólar. "O que aconteceu de imediato. Você quer gasolina, álcool e gasolina mais barato, né? É indexado ao preço do dólar", afirmou.

Pessoas comeram mais e impulsionaram inflação, diz Bolsonaro

No momento em que Bolsonaro falou mais longamente sobre a inflação, que se aproximou de 10% nos últimos 12 meses no Brasil, o presidente citou que o mundo sofre com esse cenário e disse que as pessoas estão comendo mais.

"Não vou negar que aumentou a inflação de alimentos. Não foi só no Brasil. O mundo todo passou a consumir mais alimentos. Além de o mundo crescer em média 60 milhões de habitantes por ano, ele passou a consumir mais porque ficou mais em casa", disse Bolsonaro.

Depois de citar que "alguns passam fome" no país, ele afirmou que a "média começou a comer mais". "Se você perguntar em casa, ou a quem tá assistindo agora, ou se olhar pra você mesmo, na média, todo mundo engordou mais. Vão querer debochar de mim, mas é a realidade. A inflação é em função disso."

Na sequência, ele culpou as políticas de restrição tomadas por governadores e prefeitos durante a pandemia e falou que era preciso "investir na produção". Bolsonaro, então, citou que plantava alguns produtos em um dos lugares onde morou na sua infância e pediu que as pessoas colaborassem nesse ponto.

"Tinha uns pezinhos de alface, de couve, tinha uns 'trem' que a gente comia lá. Hoje é difícil ver isso na casa dos outros. Eu sei que a maioria das pessoas não tem espaço, mas muita gente tem espaço. Vamos colaborar, pô."

Ainda citando os atos do 7 de setembro, Bolsonaro falou sobre o encontro que teve com lideranças de caminhoneiros em Brasília nesta quinta e reconheceu que os bloqueios feitos por manifestantes no país pioram a inflação.

"Eles falaram que iam manter o movimento até domingo. É um direito deles. E vão suspender depois", disse Bolsonaro, afirmando não influenciar na decisão dos caminhoneiros. "Fui claro que, se passar de domingo, a gente passa a ter problema seríssimo de abastecimento. Isso influencia na economia, aumenta a inflação. Os problemas se voltam contra nós - contra eles, que fizeram o movimento, e contra eu, que sou chefe de estado."

Bolsonaro se diz "pronto" para conversar com outros Poderes

Depois, o presidente voltou a mencionar a carta e as cobranças dos apoiadores, acrescentando que foi criticado por ministros do STF como o presidente da Corte, Luiz Fux, e Luís Roberto Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral.

"[Apoiadores] Queriam que respondesse o presidente do Supremo, ministro Fux, que fez uma nota dura, sim, na quarta-feira, e alguns poucos vieram com discurso pronto, 'tem que reagir'. Eu falei calma, deixa pra amanhã. Nós temos que dar exemplo em Brasília.", disse Bolsonaro.

Ele falou sobre a participação de Temer e afirmou ter ligado para seu antecessor na quarta à noite. "Ele veio a Brasília e por dois momentos conversou comigo aqui, pouco mais de uma hora. Ele colaborou com algumas coisas na nota e eu concordei. E publicamos."

"Não tem nada demais ali. O que disse ali é que eu estou pronto pra conversar. Por mais problema que eu tenha com Arthur Lira, Rodrigo Pacheco, ministro Fux, com o Barroso... tenho que conversar com o Barroso, que ainda que hoje deu um cacete em mim", afirmou Bolsonaro, sobre as fortes críticas que recebeu do presidente do TSE

"Estou pronto pra conversar com o Barroso."

Apesar do tom ameno, ele fez críticas à postura do ministro e pediu pelo direito de poder reclamar do sistema eleitoral brasileiro, mesmo após a derrota do projeto do voto impresso na Câmara dos Deputados.

"Hoje eu vi uma matéria do senhor ministro Barroso dizendo que está aperfeiçoando o sistema eleitoral. Barroso, se está aperfeiçoando, é porque tinha brecha", reclamou. "Se o Barroso anuncia novas medidas protetivas com as urnas, é porque elas são penetráveis. Então não é justo desmonetizar páginas e pessoas que estão pedindo voto impresso. Qual o problema nisso? Isso é trabalhar contra a democracia."

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