Em livro, Casagrande aborda recuperação de dependência química: 'Ainda tem quem me chame de drogado'

Luccas Oliveira

Depois de quatro overdoses, um acidente de carro que o deixou em coma, um infarto e outras tantas comorbidades, além de um ano inteiro em reabilitação seguido por algumas recaídas, o ex-atacante e comentarista esportivo Walter Casagrande Jr. comoveu o Brasil ao anunciar, na final da Copa do Mundo da Rússia, em 2018, que pela primeira vez tinha permanecido sóbrio um Mundial inteiro. Para ele, ali, a sobriedade plena fora alcançada. A parte mais difícil da recuperação, porém, ele conta agora.

Em “Travessia” (Globo Livros), livro escrito com o amigo e jornalista Gilvan Ribeiro, Casagrande detalha o processo de ressocialização do dependente químico. Uma travessia que, no caso dele, teve luta, um namoro midiático com a cantora Baby do Brasil, a reaproximação com amigos roqueiros que também lidaram com seus vícios, como os titãs Paulo Miklos e Nando Reis.

— Tem gente que não acredita que a dependência química é uma doença, que as pessoas podem se recuperar. Para elas, a Terra é plana, então não tem diálogo, não dou atenção. Mas os ataques cruéis e o preconceito machucam. Atingem a alma da pessoa. Não corta a pele, não sangra, mas entra uma faca na alma. É uma cicatriz que não fecha. Me fez muito mal, acredito que faça ainda. Então, quem cuida do meu Instagram, por exemplo, é o meu filho do meio, Leonardo. Não vejo comentários. Se olho dois comentários, sempre tem um me chamando de drogado — diz Casagrande.