Em Manaus, Bolsonaro diz que Zona Franca 'é a grande responsável pela floresta em pé'

Líege Albuquerque, do Valor, especial para O GLOBO

MANAUS — Em discurso durante um evento em Manaus, na manhã desta quarta-feira, o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender sua política de que é preciso desenvolver economicamente a Floresta Amazônica para preservá-la.

Bolsonaro participou da abertura da I Feira de Sustentabilidade do Polo Industrial de Manaus, na zona sul da capital amazonense.

O presidente destacou que, depois de o projeto Calha Norte — idealizado no governo Sarney (1985-1989), prevendo a ocupação militar de uma faixa da Amazônia— ter sido abandonado por governos, “a ZFM (Zona Franca de Manaus) é a grande responsável pela floresta em pé”. As indústrias da Zona Franca se concentram num bairro na área urbana de Manaus e não no interior.

Segundo dados divulgados este mês pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a área desmatada na Amazônia foi de 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, a maior nos últimos dez anos. O Amazonas teve desmatamento 36% superior a 2018.

— Nossos irmãos índios querem se integrar ao Brasil, o índio quer produzir, quer explorar a terra. É terra rica em minérios e querem explorar. Querem criar gado e tem legislação impedindo. Agora, consegui rever (legislação que proibia) a plantação da cana-de-açúcar e todos na região agradeceram. E, se os ambientalistas atuais querem me criticar, é porque estou no caminho certo — disse Bolsonaro na feira de sustentabilidade.

'Pergunta da imprensa maldosa'

Em coletiva após a abertura da feira, ao ser questionado pelo Valor se sua fala sobre liberar a exploração das terras indígenas aos “irmãos índios” não se referia a grandes empresas de mineração, já que indígenas não têm tecnologia para exploração de terras, Bolsonaro respondeu ser esta "uma pergunta da imprensa maldosa”.

— Esse é um desejo meu, de liberar à exploração, que eles não merecem viver na miséria, na pré-história. Mas tudo tem de passar pelo Parlamento, não pode ficar no desejo meu de não ver nossos irmãos nessas condições.Em seguida, o presidente respondeu a um repórter que ele “deveria voltar à faculdade” antes de fazer pergunta.

A outro jornalista, disse que não responderia mais nenhuma pergunta daquele jornal.

Questionado sobre a denúncia de que não teria declarado o suposto uso de 11 milhões de santinhos em sua campanha eleitoral, Bolsonaro disse que sua resposta só podia ser uma gargalhada.