Em Maricá, aldeias indígenas vivem expectativa para vacinação de crianças após atraso na chegada de doses

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RIO — Crianças indígenas da aldeia guarani Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’Aguy Ovy Porã) em São José do Imbassaí, em Maricá, na Região Metropolitana do Rio, esperam desde o início da manhã desta sexta-feira pela dose pediátrica da Pfizer contra Covid-19. A cidade quer ser a primeira do estado e uma das primeiras do país a imunizar o grupo com idade de 5 a 11 anos. Dezessieis crianças dessa faixa etária que vivem na comunidade indígena devem ser vacinadas. Já amanhã, sábado, outras seis crianças da aldeia Sítio do Céu (Pevaé Porã Tekoa Ará Hovy Py), em Itaipuaçu, também em Maricá, serão imunizadas.

A vacinação, que deveria acontecer nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira, atrasou, e só deve ocorrer à tarde. O atraso ocorreu em razão da demora na chegada das primeiras 93.500 doses ao Estado do Rio. O material foi entregue pouco depois das 9h40 na Coordenação Geral de Armazenagem (CGA) da Secretaria de Estado de Saúde (SES), no Barreto, em Niterói, também na Região Metropolitana. De lá, seguem para a Secretaria municipal de Maricá, e só depois para a aldeia. Duas enfermeiras já estão a postos para a tarefa.

A distribuição dos lotes aos 92 municípios fluminenses ainda não começou. A cidade Rio deve ser a primeira cidade a receber, seguida por Maricá e Niterói.

A carga entregue hoje corresponde a apenas 6% do total de 1.533.654 de crianças de 5 a 11 anos em todo o Estado do Rio. Para Maricá estão reservadas 820 doses do imunizante da Pfizer, que tem formulação diferente para esta faixa etária.

Segundo os caciques das duas aldeias, ao todo cerca de 100 crianças nesses locais. Cinquenta delas, de 0 a 13 anos moram na aldeia Mata Verde Bonita (Tekoa Ka’Aguy Ovy Porã).

Aldeia imunizada

De acordo com a cacique Jurema Para Rete Yry Nunes de Oliveira, de 40 anos, da Mata Verde Bonita, a Prefeitura de Maricá perguntou se a aldeia aceitaria vacinar suas crianças.

— A Secretaria (municipal) de Saúde me ligou e perguntou se a gente aceitava a vacina. Perguntei qual idade seria, porque tenho dois filhos menores: de 10 e 11 anos e me preocupo. Conversamos e acho muito importante a vacinação, diante do cenário atual da disseminação da doença. Fiquei muito surpresa e feliz com a ligação. A gente vê tantas crianças que perderam a vida por Covid, e agora somos escolhidos. Muito importante. Não só para a gente, os indígenas, mas para todas as crianças do país — destaca a cacique.

Atualmente, cerca de 130 pessoas moram no local, que tem 93 hectares. Quatro delas têm mais de 80 anos.

Amarildo Karay, integrante da Comissão Guarani na Região Sul e Sudeste, conta que no início da pandemia apenas uma pessoa foi contaminada com a doença no local e não precisou ser hospitalizadoa Amarildo destaca que a comunidade foi toda testada e salienta sobre a importância da vacina.

— Sempre falamos com a comunidade que toda vacina é importante. Não vivemos como antigamente, pois já perdemos muita sensibilidade. Mesmo nos preservando, e usando a nossa medicina, a gente tem que tomar vacina, porque não conseguimos mais só proteger com medicamentos naturais. Agora, mais do que nunca, essa vacina é muito importante.

Demais grupos de crianças

No Estado do Rio, a maioria dos municípios vai iniciar o calendário para os pequenos de 5 a 11 anos na segunda-feira, dia 17. Maricá é a cidade fluminense a sair na frente, com a imunização começando nesta sexta-feira (14), com aplicação das novas doses apenas para crianças indígenas.

No sábado, são vacinadas as com comorbidade ou deficiência. O responsável legal precisará apresentar o laudo médico que comprove os diagnósticos, que estão inclusos na listagem do Plano Nacional de Imunização, além de certidão de nascimento ou documento de identidade da criança. Esse grupo deve ir até o Serviço de Atendimento de Reabilitação Especial de Maricá (Sarem) para se imunizar.

As datas para as crianças dessa faixa etária que não se encaixam nos grupos acima ainda serão divulgadas pela prefeitura. De acordo com a prefeitura, o cronograma será divulgado o mais rápido possível à medida que forem entregues as remessas distribuídas pelo Governo do Estado do Rio após repasse do Ministério da Saúde.

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