Em meio à pandemia de Covid-19, a palavra de ordem é 'reinventar'

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Na vida nada se cria, tudo se copia, certo? Negativo! A palavra de ordem em meio à pandemia de coronavírus não é copiar e sim recriar! Profisionais de vários segmentos têm se reinventado e apostado nas redes sociais para não ficarem sem renda. Alguns até contaram ao EXTRA que ao fim da pandemia vão continuar exercendo suas "reinvenções". A reinvenção profissional é vista como extremamente positiva pela psicóloga e hipnoterapeuta Chryssie Branco, que aponta outros benefícios dessa mudança, além do financeiro: eleva a autoestima, diminui a ansiedade e evita a depressão.

E foi justamente para não cair em depressão que Tatiane Cristine Carvalho, de 32 anos, moradora de Jardim América, na Zona Norte do Rio, que tem uma casa de festas, resolveu se reinventar. Ela conta ao EXTRA como foi o impacto negativo da pandemia no bolso e no lado psicológico.

– Com a pandemia não podíamos trabalhar e a casa ficou fechada quase um ano. Um decreto permitia funcionamento, outro não permitia, logo depois vinha a determinação de fechar tudo. Ficávamos sem trabalhar e os clientes com medo de contratar a festa e de repente ser impedido de fazer. A situação foi ficando cada vez mais difícil - explica Tatiane.

Além de ficar sem trabalho porque a casa de festa teve que fechar, ela conta que os clientes começaram a cancelar os eventos e a pedir o reembolso do que foi pago.

– Me senti muito mal com toda essa situação, com medo do que poderia acontecer com o trabalho e até mesmo com a nossa saúde... Tive um início de depressão por tudo que estávamos vivendo e com medo do que estaria por vir – diz Tatiane.

Para dar a volta por cima diante de tantas dificuldades, Tatiane, que é mãe de um casal de filhos, decidiu se reinventar: – Além da renda tinha também a minha saúde mental. Sempre tive o dom de fazer doces e resolvi investir no que eu sabia fazer – conta.

E como ela fez estando sem grana? – Fiz cursos grátis on-line para me aperfeiçoar no que eu sabia somente o básico e comecei a divulgar e vender os doces pelo perfil que criei no Instagram (https://instagram.com/tatisweetcake/). Comecei com ovos de Páscoa, cesta no Dia dos Namorados e parti também para bolos, bolo de pote, bolo piscina, copo da felicidade.

No perfil do Instagram tem um vídeo que chega a dar água na boca: https://www.instagram.com/p/CM95PZKAqOx/.

– As vendas são minha única renda desde que a pandemia começou no ano passado – finaliza.

– O primeiro grande benefício da reinvenção profissional é a autoestima. A pessoa ganha muita autoestima, ela se sente melhor, passa a acreditar nela mesma, melhora até a autofiança. O segundo é a diminuição da ansiedade. Quando se coloca o propósito na busca de uma solução, quando se foca em uma coisa positiva, a ansiedade diminui - diz Chryssie Branco, psicóloga e hipnoterapeuta.

Chryssie explica que isso acontece porque a mente entende que, ao invés de ficar chorando ou reclamando, focar na solução do problema diminui os níveis de cortisol e de adrenalina e o profissional se sente motivado, com mais energia, mais disposição. Isso evita que entre em depressão. – Dá aquela sensação de dar a volta por cima, de se ver de outra forma, de se projetar de uma forma diferente e isso é muito positivo para a mente – diz Chryssie.

– A reinvenção profissional e extremamente positiva. A pessoa se percebe podendo ser diferente, podendo investir em algo que ela sequer imaginava – finaliza a especialista, que pode ser contactada em https://www.instagram.com/psicologachryssiebranco/.

Duas histórias em uma: de um lado um profissional que já estava se reinventando - mesmo antes da pandemia de coronavírus -, do outro um terapeuta emocional que resolveu fazer apresentações on-line para ajudar outras pessoas no meio desse caos sanitário que o Brasil atravessa. Casado, pai de um menino, Gonçalo Pereira Afonso, de 31 anos, morador de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, trabalhava como técnico em eletrônica, mas a paixão por música sempre foi constante. Ele conta ao EXTRA que aos 14 anos já tocava em uma bandinha com os amigos quando resolveu juntar equipamentos de som e iluminação.

– Fiz minha promeira locação para um evento pequeno numa igreja e dali comecei a sonhar em ter meu próprio estúdio, eu já trabalhava com meu pai e tinha meu dinheirinho - diz Gonçalo. Aos 16 ele estava se formando em eletrônica, estagiando e, paralelamente, começou a fazer obra no que seria o estúdio Megalus, inaugurado em 2008, em São João de Meriti, também na Baixada.

Foi aí que uma outra mudança ocorreu. – Em 2009 fiquei desempregado e tentei tocar o estúdio profissionalmente. Mas não foi dessa vez... Voltei a trabalhar como técnico numa empresa onde fiquei por 7 anos. Dez anos depois fechei o estúdio. Os eventos externos me davam muito mais retorno financeiro que o estúdio. Resolvi me dedicar especialmente aos eventos (som, iluminação, palco).

Gonçalo conta que ele e o sócio, Leonardo Carvalho, 36, chegaram a fazer som e luz de dois camarotes na Sapucaí em 2020 e em março recebeu a notícia do desligamento por conta da pandemia. – Confesso que não acreditei que a pandemia fosse durar tanto tempo, mas se passaram meses e nada... Chegou a hora de pensar em um plano B, o estúdio foi reativado para atender a moda do momento, as lives – diz Gonçalo, que teve ajuda de um amigo que acabou virando sócio, Thiago Storge.

– A novidade se espalhou e rapidamente nossa agenda estava cheia, criamos um programa de Youtube, o Live in Megalus. Fizemos muitas lives e não pretendemos parar nunca mais!

O Megalus é multifuncional. Além das lives, são oferecidos os segunites serviços: ensaios, gravações, locações de palco, iluminação, estruturas e som para qualquer tipo de evento, telão de LED, entre outras coisas. Como entrar em contato? É fácil: https://www.instagram.com/estudio_megalus/, eles também estão no Youtube, Google e outras plataformas.

O terapeuta emocional Carlos de Azevedo Henrique, 52 anos, de Campo Grande, na Zona Oeste, utiliza as lives com apresentação de slides e exercícios para auxiliar as pessoas. – Nós percebemos que com a pandemia surgiu um grande problema: a saúde emocional da população. Quem já tinha algum tipo de problema, se agravou, e quem não tinha desenvolveu ansiedade, depressão, síndrome do pânico e outros transtornos emocionais.

– Fiz duas lives sobre saúde emocional e deixei o chat aberto para tirar possíveis dúvidas. E a principal delas era sobre hipnose clínica, as pessoas confundem com hipnose de palco e hipnose de filmes - diz. É importante destacar que "a hipnose clínica é uma ferramenta de tratamento e promove o relaxamento, não há controle da mente nem outras crenças que geram medo nas pessoas".

Outras questões também surgiram nas apresentações, a manutenção de um relacionamento saudável em tempos de pandemia foi uma delas. – Muitos casais se separaram nesse período. É preciso usar a inteligência emocional - finaliza Henrique. Ficou curioso (a)? Clica em https://www.instagram.com/idealexcelencia/.