Em meio à pandemia, Paraíba dobra número de praias próprias o ano inteiro

JOÃO PEDRO PITOMBO
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SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Um dos poucos estados do litoral brasileiro que não interrompeu a medição da balneabilidade das praias durante a pandemia da Covid-19, a Paraíba registrou uma melhorar robusta na qualidade de suas praias entre novembro de 2019 e novembro de 2020. O número de praias boas -que foram classificadas como próprias durante o ano inteiro- chegou a 49 neste ano contra 20 no mesmo período do ano passado. Ao todo, foram aferidas 68 praias de oito municípios do litoral do estado. Os dados de balneabilidade são monitorados pela Folha há cinco anos, seguindo as normas federais sobre balneabilidade. Um trecho é considerado próprio para banho se não tiver registrado mais de 1.000 coliformes fecais para cada 100 ml de água na semana de análise e nas quatro anteriores. Para a avaliação anual, é adotado o método da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), que classifica as praias, a partir dos testes semanais, em boas, regulares, ruins ou péssimas. Nadar em áreas impróprias pode causar problemas de saúde, sobretudo doenças gastrointestinais ou de pele. Levando em conta os dados dos últimos cinco anos, 2020 foi o ano em que as praias da Paraíba tiveram melhor balneabilidade. O melhor resultado antes disso havia sido em 2016, quando 28 praias foram consideradas próprias o ano inteiro. Ao menos 14 praias que foram consideradas apenas regulares ou ruins nos últimos quatro anos, em 2020 foram classificadas como boas. É o caso, por exemplo, das praias do Bessa e Tambaú, na capital, e das praias de Pitimbu e Acaú, no litoral sul da Paraíba. Do quadro geral das 68 praias onde houve coleta e análise da qualidade das águas, apenas seis foram consideradas ruins ou péssimas este ano contra 28 do ano anterior. As praias são consideradas péssimas quando estão impróprias em mais da metade das medições realizadas durante o ano. Em 2020, foram consideradas péssimas as praias do Arraial, Jacarapé e Farol do Cabo Branco, em João Pessoa, assim como a praia do Jacaré, em Cabedelo. Já os dois pontos de mediação que tiveram qualidade ruim ficam em Manaíra, praia urbana localizada na zona norte da capital paraibana. As praias são consideradas ruins quando estão impróprias entre 25% e 50% das medições. Superintendente da Sudema, órgão ambiental do governo da Paraíba, Marcelo Cavalcanti de Albuquerque credita a melhoria da balneabilidade a um trabalho de vistoria nas galerias pluviais e bloqueio de pontos de lançamento de esgoto nas praias do estado. Um projeto piloto, desenvolvido em parceria com Ministério Público e governo da Paraíba, foi desenvolvido na praia de Manaíra, uma das mais movimentadas de João Pessoa. "Pudemos perceber que, após esse trabalho, a qualidade da água melhorou consideravelmente. Antigamente, era comum interditar grandes trechos dessa praia, mas, hoje em dia, os trechos impróprios aparecem pontualmente", afirma Albuquerque. Além da melhoria da qualidade da água do mar em 2020, a queda no movimento de pessoas nas praias nos primeiros meses da pandemia também fez com que houvesse uma redução do lixo na areia. A redução do lixo foi constatada pela ONG Guajiru, que atua na preservação das tartarugas marinhas na região. Nas últimas semanas, contudo, a proximidade do verão e o retorno gradual dos banhistas fez com que a quantidade de lixo voltasse a aumentar. Além dos resíduos comuns, também foi constatado o descarte incorreto de equipamentos de proteção individual, principalmente máscaras. A redução do descarte irregular de lixo nas praias e galerias é considerada crucial no trabalho de preservação do ecossistema marinho, conforme a ONG Guajiru. No caso das tartarugas, os principais perigos estão no plástico, que quando ingeridos podem causar danos gastrointestinais e até a morte dos animais.