Em meio a guerra no PSL, Bolsonaro chama 'amigo' para amenizar live

Empresário, amigo do presidente, foi protagonista da transmissão semanal do mandatário - Foto: Reprodução/Facebook

Resumo da notícia

  • Presidente falou menos que o normal durante a live, onde recebeu elogios do empresário

  • Bolsonaro diz que vazamento de óleo que atinge o Nordeste é "estranho" no momento em que o Brasil se prepara para o megaleilão de petróleo do pré-sal

Por Marcos Tordesilhas

O presidente Jair Bolsonaro contou com a presença de Luciano Hang, dono da rede de lojas de departamento Havan, em sua live semanal no Facebook nesta quinta-feira (17), em um bate-papo onde o empresário fez muitos elogios ao presidente e se disse confiante com os rumos do governo e do país.

Bolsonaro, por sua vez, ficou mais quieto do que o normal, praticamente deixando o protagonismo para Hang - no mesmo dia em que o governo federal enfrentou um dos momentos mais agudos da crise entre o presidente e dirigentes do PSL, seu partido, que está rachado.

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Nesta quinta, o site R7 revelou o áudio onde o Delegado Waldir (PSL-GO), líder do partido do presidente na Câmara Federal, afirmou que iria "implodir" o presidente e o chamou de "vagabundo", em reação à pressão de Bolsonaro para destituir o deputado da liderança em prol de seu filho Eduardo.

Na live, que teve duração de 25 minutos, o presidente não falou sobre o áudio e nem sobre a crise interna do PSL. Ele passou boa parte ouvindo os elogios e as análises positivas de Hang sobre a economia do Brasil e as ações do governo federal.

O empresário, vestido com um terno verde e uma gravata amarela, se apresentou na transmissão como "véio da Havan", apelido que recebeu nas redes sociais durante o ano passado, quando fez ampla campanha por Bolsonaro na presidência.

"Fiquei impressionado com o dado que caiu 40% o roubo de carga do Brasil. É uma coisa espantosa", disse Hang, logo no começo da transmissão.

Depois, Bolsonaro perguntou sobre o cenário econômico do Brasil, abrindo espaço para novos elogios de Hang. "Foram criados 157 mil novos empregos em setembro. No ano, 770 mil empregos, e deve passar de 1 milhão. No ano que vem, podemos esperar quase 2 milhões de novos empregos. Eu sinto isso", disse Hang.

"Estão falando que o juro esse ano vai acabar em 4,5%. Eu nunca vi na minha história um juro de 4,5", afirmou o empresário, empolgado. "Isso vai fazer com que a confiança do brasileiro em 2020 seja muito maior do que já foi em 2019. Todo mundo entrou acelerando. Agora, em 2020, coloca o pé no acelerador, pessoal. Acredito no país. Esse país tem tudo para dar certo", opinou o dono do Havan. "Já deu certo", acrescentou o presidente.

Em seguida, Bolsonaro voltou a falar sobre o embate com países europeus na questão ambiental, reafirmando ter recebido críticas de outros líderes por não querer demarcar terras indígenas. Havan, em resposta, provocou Emmanuel Macron, presidente francês e principal oponente de Bolsonaro nesse conflito.

"Um amigo meu dos Estados Unidos me ligou, dizendo: 'Luciano, está queimando a Califórnia!' Eu disse: 'chama o Macron'. Ele que vá apagar", disparou o empresário. Bolsonaro sorriu e complementou com um comentário sobre o incêndio que atingiu a histórica catedral de Notre-Dame, em Paris, em abril. "Cuidado que vão falar que eu botei fogo em Notre-Dame", ironizou o presidente.

Na parte final da live, Hang adotou um discurso otimista e clamou para que os comerciantes investissem em seus negócios no fim do ano. "Presidente, quero dizer um negócio. Sou comerciante. Não existe dezembro ruim. Aproveitem. Vamos contratar pessoas, gerar empregos, vamos vender produtos. Vamos ser otimistas com o país", afirmou o empresário.

Bolsonaro retribuiu, apontando o empresário como alguém "que tem ajudado muito o Brasil". "Mais do que muitos políticos, inclusive."

"Eu sinto isso nas ruas. É uma loucura. Viajo para o norte, sul, leste e oeste. Todo mundo agradecendo, 'o Brasil está mudando, é esse o Brasil que nós queremos!' Não é isso?", falou Hang, efusivamente, antes de Bolsonaro encerrar a live.

Vazamento de óleo no Nordeste

O presidente comentou os derramamentos de óleo na costa do Nordeste e citou as suspeitas de que o desastre ecológico teria sido causado por um petroleiro 'fantasma' da Venezuela, além de insinuar que o caso pode estar ligado ao megaleilão do pré-sal, programado para novembro.

"Nós sabemos que a Venezuela exporta petróleo de forma clandestina, sem transponder. Não sabemos a origem. Alguns dizem que seria da Venezuela, mas não quero assumir essa responsabilidade ainda. Tem que ter certeza absoluta, como chefe de Estado, mas é bastante suspeito", disse.

"E vem numa época que estamos na iminência de fazer o maior leilão de óleo. Estranho. Para dificultar, talvez? A gente não vê ONG falando nada, a esquerda quieta. Qual o medo deles? Criticar e ver, de repente, que poderia vir de um país que não é democrático e eles apoiam?", questionou o presidente.

"Estamos fazendo nossa parte para limpar esse óleo. Afinal, todos nós perdemos com isso, em especial o turismo", concluiu.